Sharon fica na história como chefe militar e político hábil e controverso

Ariel Sharon, que morreu hoje aos 85 anos depois de oito anos em coma, ficará na História como um dos chefes militares e políticos mais hábeis e controversos de Israel, que passou a vida a surpreender amigos e inimigos.

Nascido a 26 de fevereiro de 1928 de pais bielorrussos, Sharon era o último representante da geração fundadora de Israel, juntamente com o presidente Shimon Peres, deixando em herança a retirada unilateral da faixa de Gaza em 2005 e a construção do muro de separação dos territórios na Cisjordânia.

Ariel Sharon entrou aos 17 anos para a Haganah, a milícia clandestina juvenil, sob o mandato britânico que formou o núcleo do exército israelita.

Ao longo da sua carreira militar, ficou conhecido pela audácia e pela indisciplina, características que lhe valeram a alcunha de "bulldozer".

Enquanto responsável por unidades de comandos e de paraquedistas, Sharon lançou operações punitivas, a mais sangrenta das quais em 1953, em que morreram cerca de 60 civis na aldeia palestiniana de Qibya, na Cisjordania.

Nos anos 60 enfraqueceu a resistência palestiniana na faixa de Gaza e em Outubro de 1973 inverteu o curso da guerra, bloqueando o canal do Suez para cercar o exército egípcio, desobedecendo a ordens do estado-maior.

Participou na fundação do Likud, o partido da direita nacionalista, dirigido por Menahem Begin, que acedeu ao poder em 1977.

Foi ministro da Agricultura do primeiro governo de direita e, mais tarde, ministro da Defesa, responsabilidade que lhe permitiu promover a desastrosa invasão do Libano, em 1982, para liquidar a Organização de Libertação da Palestina (OLP) e instalar a hegemonia regional de Israel.

Nos anos 90 passou por vários cargos ministeriais, trabalhando para a consolidação da colonização, e em 1999 assumiu a liderança do Likud.

Foi eleito primeiro-ministro em 2001, cultivando a proximidade com o presidente norte-americano George W. Bush, envolvido na sua "guerra contra o terrorismo".

Depois da eleição Sharon encurralou Arafat, a quem apelidou de "Bin Laden palestiniano", no seu quartel general de Ramallah, de onde saiu apenas para ir falecer a France.

Mais tarde acabou por reconhecer, por pragmatismo, a realidade de um estado palestiniano.

Contestado no seio do Likud, que considerou uma traição a retirada de soldados e 8.000 colonos de Gaza, Sharon abandonou o partido em novembro 2005 para fundar o partido centrista Kadima.

A 4 de janeiro de 2006, um acidente vascular cerebral deixou-o em coma, numa cama de hospital, caindo aos poucos no esquecimento.

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