Rebeldes tomam Raqa e derrubam estátua de pai de Assad

Bachar al-Assad afirmou que a oposição ao seu regime "jogou a sua última carta", e que a Síria saiu "vitoriosa da batalha", em declarações feitas esta terça-feira a um jornal libanês. Apesar do discurso positivo do Presidente, os rebeldes conseguiram tomar a capital de província Raqa, uma das mais importantes conquistas em mais de dois anos de guerra civil.

Veja o vídeo do momento em que a estátua do antigo Presidente sírio, Hafez Al-Assad é deitada abaixo, na conquista de Raqa.

"A trama chega ao fim", terá dito Assad, de acordo com o jornal pró-iraniano Al-Akhbar, que cita visitantes árabes que estiveram recentemente reunidos com o chefe de Estado. O Presidente sírio foi descrito como estando "muito confortável". "Conseguimos sucessos significativos, cuja importância estratégica é clara, mesmo para aqueles que desenvolvem planos impraticáveis contra a segurança da Síria", acrescentou Assad.

Ainda de acordo com a publicação libanesa, o líder sírio terá sublinhado "as contradições dentro da oposição no exílio", que serão a "prova do seu fracasso". O regime, que há mais de dois anos enfrenta uma oposição armada, tem o hábito de apresentar a guerra civil que decorre na Síria como um resultado de uma conspiração internacional contra o país.

No terreno, os rebeldes tomaram a capital de província Raqa, no norte do país, onde celebraram a vitória baleando e rasgando cartazes e deitando abaixo a estátua de Hafez Al-Assad, pai de Bachar al-Assad, que governou o país durante os anos de 1971 a 2000, quando o filho tomou o poder.

Esta é a mais importante conquista da rebelião, que se opõe às declarações vitoriosas de Assad. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos divulgou um vídeo filmado e liberado pelos rebeldes onde é possível ver o governador da província, Hassan Jaili, sentado no meio dos rebeldes.

"Este é um dos mais altos dirigentes do regime a ser capturado pelo rebeldes" desde o início do conflito, disse Rami Abdel Rahman, diretor da ONG, que conta com uma vasta rede de fontes militares e médicas no país. "Raqa tem sofrido com a corrupção do governador", acrescentou.

Os insurgentes conquistaram a maioria da província de Raqa na segunda-feira, apesar de tropas e milícias pró-regime continuarem a resistir durante a noite em torno da sede da inteligência militar. "Novos reforços do Exército estão a caminho de Raqa, resta saber se ainda poderão entrar na cidade ou não", explicou ainda o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Outras das respostas do Exército do Presidente Assad à queda de Raqa foram os bombardeamentos da cidade com tanques e aviões. De acordo com o jornal pró-regime Al-Watan, "o Exército e os serviços de segurança estão envolvidos em violentas batalhas na cidade de Raqa, onde já derrubaram milhares de homens armados (...) que saqueavam casas e instituições publicas e privadas, provocando o caos na cidade".

A violência foi também retomada noutras cidades do território sírio, como Homs, onde pelo terceiro dia consecutivo, as milícas do Exército desenvolveram ataques armados para re-conquistarem pontos fulcrais da cidade, considerada a "capital da revolução".

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