Rebeldes apoderam-se da província de Ninive. Há 20 mortos em atentados

Pelo menos 20 pessoas morreram hoje num atentado à bomba durante um funeral em Baquba, na província de Diyala, a norte de Bagdade, disseram fontes médicas e de segurança citadas pela France Press.

O atentado causou ainda 28 feridos e ocorreu no mesmo dia em que a província iraquiana de Ninive, no norte, de que Mossul é capital, caiu nas mãos dos rebeldes.

A bomba explodiu no momento em que os habitantes da vila se dirigiram para o cemitério para enterrar uma pessoa que morrera na noite anterior.

Nenhum grupo reivindicou o atentado, mas os rebeldes passaram a atacar as forças de segurança nas mais diversas circunstâncias, em marchas, em cafés e mesmo em funerais.

O Iraque tem sido devastado por uma onda de violência que já matou mais de 4.600 pessoas desde o início de 2014, segundo um balanço feito por fontes médicas e serviços de segurança.

Entretanto, centenas de rebeldes assumiram hoje o controlo da província de Ninive, no norte, num golpe inédito que reflete a incapacidade do atual governo em travar as investidas dos rebeldes e de evitar que o caos se instale no Iraque.

O presidente do Parlamento, Ossama al-Nojaïfi, confirmou em conferência de imprensa, a tomada desta província petrolífera e alertou que os rebeldes dirigem-se para a província vizinha de Salaheddine, mais a sul, para a "invadir".

Esta é a primeira vez que os rebeldes tomam o controlo de toda uma província do país, onde o grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante controla também Falluja e vários setores da província ocidental de Ál-Anbar, vizinha de Ninive.

O sucesso militar dos rebeldes aumenta o sentimento de insegurança e caos no Iraque, situação que é alimentada pela luta entre fações políticas, pelas tensões religiosas entre xiitas e sunitas e pelo conflito da vizinha Síria.

No ataque lançado contra Mossul, os rebeldes, após combates com o exército e a polícia, tomaram o controlo da sede do governo, das prisões e das instalações onde funcionam as televisões, tendo difundido que vieram "libertar Mossul" e que combaterão apenas aqueles que os atacarem,

Os rebeldes libertaram ainda os presos que estava nas cadeias de Mossul e, segundo um correspondente da France Press, as forças de segurança abandonaram os seus veículos, tendo os postos policiais sido incendiados. Militares e vários habitantes locais fugiram em direção ao Kurdistão, indicou uma alta patente do exército.

Mossul tem cerca de dois milhões de habitantes e a província de Ninive e Al-Anbar estão situadas perto da fronteira com a Síria, onde os grupos rebeldes gravitam e ambicionam instalar um Estado islâmico.

O primeiro-ministro e chefe do exército é o xiita Nouri al-Maliki, que os rebeldes sunitas acusam de ser um "ditador".

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