Ministro quer incentivos financeiros para os árabes-israelitas sairem de Israel

O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, sugeriu que Israel ofereça "incentivos financeiros" aos cidadãos árabes-israelitas para que saiam do país, segundo um documento do seu partido, divulgado ontem.

Os árabes-israelitas "que decidam que a sua identidade é palestiniana podem renunciar à sua cidadania israelita e tornar-se cidadãos do futuro Estado palestiniano", detalhou Lieberman, no documento do seu partido Israel Beitenou.

"O Estado de Israel deveria encorajá-los a fazê-lo com um sistema de incentivos financeiros", acrescentou.

No texto do partido ultranacionalista afirma-se também que o acordo de paz só pode ser durável se as negociações forem baseadas "em trocas de população árabe-israelita por territórios".

Lieberman apoia desde há muito este princípio, para garantir uma "separação máxima" entre judeus e árabes em Israel.

Pretende também a retirada da nacionalidade aos árabes israelitas que não forem suficientemente "leais" ao Estado hebreu. Em outubro, sugeriu aos deputados árabes israelitas que saíssem do sistema político israelita.

Os 1,7 milhões de árabes israelitas são os descendentes dos palestinianos que ficaram nas suas terras depois da criação do Estado de Israel, em 1948. Cristãos e muçulmanos, representam 20% da população e queixam-se de ser considerados cidadãos de segunda ordem.

Um projeto de lei aprovado no domingo pelo governo de Benjamin Netanyahu prevê que Israel deixe de ser considerado um Estado "judeu e democrático" e passar a ser definido como "o Estado nacional do povo judeu".

O Knesset (Parlamento) deve pronunciar-se sobre o projeto, que é visto por alguns observadores como a institucionalização de uma discriminação da população árabe de Israel e o enfraquecimento do caráter democrático do Estado.

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