Ministro do Interior considera "desprezível" atentado contra a sua comitiva

O ministro do Interior egípcio definiu hoje como uma "tentativa desprezível" o atentado com explosivos contra a sua comitiva, uma ação também condenada pela coligação islamita, que voltou a convocar novos protestos contra a destituição do presidente Mohamed Morsi.

Nas suas primeiras declarações na sede do Ministério do Interior, Mohamed Ibrahim, que saiu ileso, indicou que um artefacto com forte carga explosiva foi detonado à passagem do seu veículo e provocou ferimentos graves em várias pessoas, incluindo um oficial da polícia, membros da segurança pessoal e uma criança, cujas pernas foram amputadas.

O ministro -- muito criticado pelos seguidores de Morsi pela violenta repressão em agosto contra os acampamentos islamitas no Cairo --, revelou ainda que os quatro veículos que integravam a comitiva ficaram destruídos no atentado, que ocorreu no bairro residencial da Cidade Naser, leste do Cairo.

As autoridades judiciais ordenaram uma investigação imediata do ataque, enquanto o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, qualificou o atentado como um "ato criminal".

A tentativa de assassínio do ministro do Interior também foi condenada pela Aliança contra o golpe de Estado, a coligação islamita que organiza a mobilização dos apoiantes do presidente Mohamed Morsi, destituído pelos militares a 03 de julho.

"O atentado deve ser condenado, quaisquer que sejam os seus autores", declarou Amr Darrag, um dos dirigentes da coligação, citado num comunicado. "Reafirmamos a nossa posição pacífica, que é claramente visível em cada uma das manifestações", acrescentou.

Num comunicado separado, a Gamaa al-Islamiya, um movimento na origem de uma vaga de atentados na década de 1990 antes de renunciar à violência, condenou e desmentiu qualquer ligação com este atentado e reafirma ter optado por uma "oposição pacífica" e a "recusa da violência e do terrorismo".

A Irmandade Muçulmana, que tem dirigido os protestos contra a destituição de Morsi, voltou no entanto a insistir na importância das manifestações de rua e no recurso a novas medidas pacíficas para pôr termo ao "golpe militar".

No seu habitual comunicado de quinta-feira, a Irmandade volta a assegurar que não recorrerá à violência "seja qual for a provocação dos golpistas" e considera que a ausência dos seus dirigentes "não influirá na determinação nem no pacifismo" dos seus planos e da sua revolução, numa referência à detenção dos seus principais líderes, incluindo o guia espiritual Mohamed Badia.

A destituição de detenção de Morsi pelos militares desencadeou uma vaga de violências que provocou mais de mil mortos no Egito, na sua maioria manifestantes islamitas.

Em simultâneo, os ataques contra as forças da ordem multiplicaram-se na península do Sinai, e ainda em diversas cidades do mais populoso dos Estados árabes.

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