Islamitas conquistam base de forças fiéis a Assad

Milícias islamitas conquistaram hoje a base de Cheikh Suleimane, único ponto militar ainda em poder das forças fiéis a Bachar al-Assad na região de Alepo, o que constitui um sério revés para o regime de Damasco, cidade onde voltaram a intensificar-se os combates desde domingo à tarde.

A base foi conquistada pelas forças do grupo islamita Al-Nosra, que colocou em seguida vídeos na Internet para demonstrar o seu controlo sobre a unidade onde estava aquartelado o 111.º Batalhão do exército sírio.

Nas imagens são visíveis os combatentes islamitas progredindo pela base que, segundo as agências, se estende por vários quilómetros, empunhando estandartes negros com versículos do Alcorão. Nestas imagens são visíveis várias baterias anti-aéreas, que terão sido usadas para "bombardearem os civis", ouve-se a certo momento no vídeo.

O responsável do Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH), Rami Abdel Rahmane, explicou que para a "oposição síria é uma vitória significativa", mas é "uma vitória dos islamitas", não do Exército Sírio Livre (ESL), considerado a principal formação armada da rebelião.

O Al-Nosra tem-se afirmado, de forma crescente, na guerra civil síria, protagonizando não só operações militares como ataques terroristas em várias cidades e na capital, Damasco. Esta organização, refere a AFP, era desconhecida na Síria até ao início do conflito há cerca de 21 meses.

De acordo com o testemunho de um jornalista da AFP, que seguiu parte da operação contra a base de Cheikh Suleimane, a maioria dos combatentes é de origem estrangeira, sendo provenientes ou de outros países árabes ou do Cáucaso.

Em Damasco, os combates conheceram um recrudescimento desde o final da semana, tendo unidades fiéis a Assad passado à ofensiva nas últimas horas, após as forças do ESL terem tentado conquistarem posições junto do aeroporto que, para estas, passou a ser considerado "um alvo militar legítimo".

Por outro lado, embora seja considerado provável o recurso a armas químicas por um regime que se mostra, de forma crescente, incapaz em controlar a rebelião, a utilização destes tipo de armas é dada como de escassa utilidade, atendendo à natureza do conflito até ao momento. "A sua utilidade é muito limitada, pois não poderão ser empregues em áreas onde a presença de elementos hostis se combine com uma população leal ao regime ou em áreas de civis contrários ao regime, mas onde se movimentam forças de Damasco", considera um especialista do Carnegie Middle East Center, Yezid Sayigh, em declarações à AFP.

No plano diplomático, realiza-se quarta-feira em Marrocos a primeira reunião do designado Grupo de Amigos da Síria, que deverá formalizar o reconhecimento diplomático da nova plataforma política da oposição, a Coligação Nacional Síria.

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