Irão: Manifestantes voltam a atacar embaixada britânica

Manifestantes voltaram hoje ao fim da tarde a atacar a embaixada britânica em Teerão, apesar da forte presença policial, noticiaram as agências iranianas e internacionais.

Horas antes, dezenas de manifestantes tinham entrado na embaixada, partindo vidros, lançando objectos e documentos pelas janelas e substituindo a bandeira britânica pela iraniana.

Os manifestantes, apresentados pelos 'media' estatais como "estudantes islâmicos", entraram assim por duas vezes nas instalações da embaixada, no centro de Teerão, e ocuparam também durante algumas horas a antiga residência do embaixador britânico, a norte da capital.

As forças de segurança continuavam a tentar, ao final da tarde, retirar os manifestantes dos dois locais, segundo os 'media' iranianos.

A polícia anti-motim, presente em grande número, não interveio durante o primeiro ataque, registado ao início da tarde, deixando os manifestantes escalar o muro do jardim da embaixada, segundo a agência France Presse.

Os manifestantes conseguiram entrar no recinto e depois no edifício, tendo partido vidros e lançado objectos e documentos pelas janelas, segundo imagens da televisão estatal, que transmitiu o ataque em directo.

Retirados sem violência pela polícia depois de cerca de uma hora de ocupação, os manifestantes conseguiram ao fim da tarde voltar a entrar na chancelaria e incendiar documentos, apesar de uma intervenção da polícia que fez vários feridos.

Os manifestantes conseguiram também retirar a bandeira britânica e substituí-la pela bandeira iraniana.

Um outro grupo de "estudantes islâmicos" atacou ao mesmo tempo a antiga residência britânica, situada num parque a norte de Teerão, local onde já não reside o embaixador britânico mas que mantém o estatuto diplomático.

Este grupo reteve durante algum tempo seis funcionários, que foram mais tarde libertados com a intervenção da polícia, que bloqueou os acessos ao local para "pôr fim à manifestação", segundo os 'media' iranianos.

Todos os britânicos que estavam naquele local ou na embaixada quando dos ataques estavam ao final da tarde "em segurança", segundo um diplomata citado por agências internacionais.

O duplo ataque ocorreu depois de várias centenas de manifestantes se terem reunido junto à embaixada do Reino Unido para exigir o seu encerramento e a expulsão imediata do embaixador.

O governo britânico condenou o ataque à sua representação diplomática, afirmando ser "inaceitável" a incursão e os atos de vandalismo perpetrados e apelando ao governo do Irão para que cumpra a legislação internacional e garanta a segurança do pessoal e das instalações diplomáticas no seu território.

A Rússia também condenou o ataque, que qualificou de "inaceitável" e "ilegal", assim como França, que denunciou a "flagrante e escandalosa violação" da legislação internacional, e a Itália, que condenou o ataque "absolutamente intolerável" e "muito grave".

A tensão entre o Irão e o Reino Unido aumentou na última semana depois da decisão britânica de suspender todas as transações financeiras com bancos iranianos, no âmbito de sanções económicas ao Irão.

Domingo, o Parlamento iraniano aprovou uma lei que reduz as relações diplomáticas iraniano-britânicas ao nível de encarregado de negócios e prevê a expulsão do embaixador britânico no prazo de duas semanas.

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