Intervenção militar iria minar ONU e fomentar terrorismo, diz Putin

O Presidente russo, Vladimir Putin, advertiu, esta quarta-feira, num artigo publicado no New York Times, que qualquer ataque militar na Síria à revelia das Nações Unidas iria minar a organização e acarretar o risco de desencadear uma onda de terror.

Essa intervenção militar iria "resultar em mais vítimas inocentes e numa escalada, estendendo potencialmente o conflito para lá das fronteiras da Síria", disse o líder russo, num artigo de opinião publicado pelo jornal New York Times na noite de quarta-feira.

"Ninguém quer que as Nações Unidas sofram o destino da Sociedade das Nações, que colapsou pela ausência de uma influência real", algo que, segundo escreve Putin, é passível de suceder caso os países influentes contornem as Nações Unidas e realizem uma ação militar sem a autorização do Conselho de Segurança.

O artigo apareceu no portal do diário norte-americano na mesma altura em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, partia para Genebra para manter conversações com o homólogo russo, Sergei Lavrov, sobre a proposta russa que pode fazer com que Damasco prescinda do seu arsenal químico.

Os dois diplomatas encontram-se hoje para uma reunião que, segundo acredita o chefe da diplomacia norte-americana, "durará provavelmente dois dias", mas há possibilidade de se estender até sábado, informou, esta noite, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

O Presidente russo sustentou que um ataque militar norte-americano poderia conduzir a uma perda massiva de vidas e iria fomentar tumultos no já conflituoso Médio Oriente.

"Um ataque iria aumentar a violência e desencadear uma nova onda de terrorismo. Iria minar os esforços multilaterais para resolver o problema nuclear iraniano e o conflito israelo-árabe e destabilizar ainda mais o Médio Oriente e o norte de África", realçou Putin, apontando que tal poderia ainda ?desequilibrar' todo o sistema de direito e ordem internacionais.

O artigo de Putin surge um dia depois do Presidente norte-americano, Barack Obama, ter adiado a sua ameaça de atacar a Síria, dando uma oportunidade à diplomacia, depois de o regime de Bashar al-Assad ter acolhido o plano russo.

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