EUA inquietos pela condenação à morte de 529 islamitas

Os Estados Unidos estão "profundamente inquietos" com a condenação à morte pela justiça egípcia de 529 apoiantes do presidente islamita destituído Mohamed Morsi, disse hoje à agência noticiosa AFP um responsável do Departamento de Estado.

"Não parece possível que um exame justo das provas e dos testemunhos, em conformidade com as normas internacionais, possa ter sido efetuado para 529 acusados em dois dias de processo", afirmou numa mensagem por correio eletrónico o responsável da diplomacia norte-americana.

"Continuamos a apelar ao governo egípcio para assegurar processos justos e respeitadores da liberdade a todos os que estão detidos no Egito", adiantou o mesmo responsável.

Mais de 500 apoiantes de Morsi -- o primeiro presidente egípcio eleito democraticamente em 2012 e que se manteve apenas um ano no poder até ser deposto e preso pelos militares em julho de 2013 --, foram hoje condenados à morte por supostas violências cometidas durante o verão após um processo expeditivo e no âmbito de uma sangrenta repressão aos islamitas.

Dos 529 condenados à pena capital na segunda audiência deste processo em primeira instância iniciado sábado em Al-Minya, sul do Cairo, apenas 153 se encontram sob detenção, sendo os restantes julgados à revelia.

Em resposta à repressão das novas autoridades transitórias, tuteladas pelos militares, Washington suspendeu parcialmente a assistência anual ao Cairo de 1,5 mil milhões de dólares (1,08 mil milhões de euros), na sua maioria em ajuda militar.

Aliado do Egito há 35 anos, Washington nunca qualificou de golpe de Estado a destituição de Morsi e o chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, já considerou que os militares egípcios derrubaram o chefe de Estado islamita "para salvar a democracia".

Kerry também admitiu uma decisão para breve sobre o reinício da ajuda plena dos EUA ao Egito.

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