Detidos 78 membros da Irmandade Muçulmana

Pelo menos 78 membros da Irmandade Muçulmana foram hoje detidos no Egito acusados de incitar à violência e aos protestos para impedir a votação no referendo constitucional, informou o Ministério do Interior.

Em comunicado, o ministério informou que os detidos pretendiam "provocar o caos e distúrbios, numa tentativa desesperada para comprometer o processo eleitoral, dissuadir os cidadãos de votar e interromper o processo de referendo".

De acordo com o ministério, os 78 detidos juntam-se aos 249 membros da confraria, incluindo quatro sírios, detidos pelos mesmos motivos na terça-feira, o primeiro dia da consulta constitucional que hoje termina.

Milhares de polícias e soldados foram mobilizados em todo o país para garantir a segurança do escrutínio, apesar dos registos de violência em diversas cidades que provocaram pelo menos nove mortos na terça-feira.

Fonte dos serviços de segurança disse à agência Mena que as forças policiais e militares foram enviadas para as assembleias de voto em todo o país "para proteger os cidadãos, juízes e os responsáveis pela contagem dos votos".

O ministro de Estado do governo de transição egípcio, Hany Mahmud, disse hoje que os dados provisórios apontam para uma taxa de participação de 28% na terça-feira, num universo de mais de 52 milhões de eleitores.

O referendo constitucional também está a ser interpretado como uma forma de legitimar a candidatura presidencial do general Abdel Fattah al-Sisi, atual ministro da Defesa e que em julho destituiu o presidente islamita Mohamed Morsi, dirigente da Irmandade Muçulmana.

A coligação islamita dirigida pela Irmandade, considerada em dezembro pelas novas autoridades uma "organização terrorista", apelou ao boicote do referendo e a protestos durante os dois dias de votação.

O Executivo aguarda uma significativa votação de apoio à nova Constituição -- que segundo os seus apoiantes amplia os direitos das mulheres ou a liberdade de expressão -- para reforçar a sua contestada autoridade, enquanto Sisi interpretará os resultados como um "indicador" da sua popularidade, admitiu um responsável militar próximo do general, citado pela agência noticiosa AFP.

Na sequência do referendo, estão ainda previstas eleições legislativas e presidenciais, que deverão decorrer até final de 2014.

No entanto, o novo texto constitucional também reforça o poder dos militares, garantindo às Forças Armadas a designação o ministro da Defesa nos próximos oito anos, ou o julgamento de civis acusados de atentados contra a instituição.

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