Delegados ao Congresso do Fatah protestam contra direcção do partido

Centenas de delegados ao Congresso do Fatah, partido de Mahmud Abbas, protestaram hoje, no segundo dia da reunião, contra a direcção devido à ausência há 20 anos de relatórios de gestão da formação politica palestiniana, indicaram participantes no congresso.

Além da ausência de relatórios de gestão, os delegados rejeitaram as explicações das instâncias dirigentes do partido, o Comité Central e o Conselho Revolucionário, segundo os quais o discurso pronunciado terça-feira por Mahmud Abbas na abertura do Congresso, em Belém, na Cisjordânia, representou o balanço da gestão do Fatah ao longo dos últimos 20 anos.

Os delegados descontentes interromperam um discurso do número dois do Comité Central do Fatah, Ahmad Ghneim, que, furioso, deixou a tribuna.

O incidente forçou a entrada na sala de Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, para os tentar acalmar.

"Reconheço que cometemos erros, mesmo pecados, mas a divulgação de contas deve ser feita durante reuniões de comissões e não através de intervenções anarquistas", afirmou Abbas.

O Fatah, que exercia um controlo total na Autoridade Palestiniana, foi derrotado em 2006 em eleições pelo movimento radical Hamas, que assumiu o controlo da Faixa de Gaza, de onde expulsou o Fatah.

Entretanto, numa carta enviada ao congresso do Fatah, o rei Abdallah da Arábia Saudita defendeu que as divisões entre palestinianos são mais prejudiciais para a causa palestiniana que o "inimigo israelita", anunciou a agência oficial saudita Spa.

"O inimigo arrogante e criminoso não foi capaz, durante anos de agressão contínua, afectar negativamente a causa dos palestinianos mais que os próprios palestinianos nos últimos meses", escreveu o soberano saudita numa missiva dirigida a Mahmud Abbas.

"Quero-vos dizer honestamente que mesmo que o mundo inteiro decidisse criar um Estado palestiniano independente que tivesse um apoio total, este não poderia ver a luz do dia enquanto os palestinianos se mantiverem divididos", adianta o rei Abdallah.

"Esta carta (...) não resume apenas o meu sentimento pessoal mas o de mil milhões de árabes e de muçulmanos que consideram que a sua maior grande causa é a dos palestinianos", sublinhou ainda o rei saudita.

A Arábia Saudita foi pressionada recentemente a adoptar uma política de abertura face a Israel mas respondeu que a manutenção da política de colonização dos territórios palestinianos era o principal obstáculo a uma retomada do processo de paz.

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