Cessar-fogo oportunidade para levantar bloqueio a Gaza

O grupo de defesa dos direitos humanos britânico Oxfam pediu hoje à comunidade internacional para trabalhar no sentido de o cessar-fogo entre Israel e o movimento radical palestiniano Hamas levar ao levantamento do bloqueio à faixa de Gaza.

A Oxfam refere num comunicado que no cessar-fogo acordado entre o governo israelita e o Hamas a 21 de novembro, após oito dias de confrontos, "as partes concordam negociar 'a abertura dos pontos de passagem' para a faixa de Gaza" e "a limitação da livre circulação dos residentes".

"É, portanto, uma oportunidade única para, de uma vez por todas, levantar o bloqueio israelita à faixa de Gaza, que teve um impacto devastador nas vidas e bem-estar da população civil de Gaza e sobre o desenvolvimento palestiniano", considera a confederação de 17 organizações contra a pobreza e a injustiça.

Israel estabeleceu um bloqueio, por terra, mar e ar, à faixa de Gaza em junho de 2006 após o rapto de um soldado israelita junto ao enclave palestiniano e reforçou-o um ano depois quando o Hamas assumiu o controlo do território.

O bloqueio "devastou a agricultura e as pescas, fechou quase 60 por cento das empresas de Gaza e empurrou 80 por cento das pessoas para a dependência da ajuda humanitária", assinala a Oxfam, que tem projetos no enclave palestiniano.

No comunicado intitulado "Além do cessar-fogo: terminar o bloqueio a Gaza", a Oxfam pede aos dirigentes mundiais para pressionarem o governo israelita para acabar com a aplicação militar do bloqueio e encontrar alternativas à defesa da sua fronteira que não prejudique os civis.

A confederação de ONG pede ainda o destacamento de uma "bem equipada força internacional" para fiscalizar e garantir a abertura de todas as passagens de Gaza, incluindo a de Rafah (com o Egito), bem como o apoio à reconstrução do terminal de mercadorias de Karni e a abertura de um novo porto, "assegurando a livre entrada e saída de bens comerciais de Gaza".

Apela também a pressões sobre o governo israelita para que este facilite a livre circulação de pessoas entre Gaza e a Cisjordânia.

"A Oxfam tem trabalhado nos últimos cinco anos para melhorar as vidas dos palestinianos em Gaza, mas enquanto o bloqueio continuar estamos condenados a usar baldes para salvar um navio que se está a afundar", declarou o responsável do grupo para os territórios palestinianos e Israel, Martin Hartberg, citado no comunicado.

"Cabe aos dirigentes israelitas, palestinianos e mundiais fazer as mudanças duradouras que as pessoas precisam. (...) Enquanto os palestinianos de Gaza continuarem isolados, as perspetivas de paz para os israelitas e para os palestinianos continuarão distantes e as hipóteses de recuperação económica em Gaza serão cada vez mais remotas", adiantou.

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