Cerimónias fúnebres de Sharon ocorreram em Jerusalém

As cerimónias fúnebres do antigo primeiro-ministro Ariel Sharon ocorreram hoje em Jerusalém na presença de dignitários israelitas e estrangeiros.

As cerimónias, que decorreram hoje na zona exterior do Knesset, o parlamento, começaram com a entoação de uma oração tradicional judaica, realizando-se o funeral ao final do dia na quinta privada da família de Sharon.

"'Arik' [diminutivo de Ariel] foi um homem complexo que viveu numa época complexa e num ambiente complexo", resumiu o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante uma cerimónia de homenagem, organizada em frente do parlamento israelita, Knesset, em Jerusalém.

A cerimónia oficial decorreu na vasta esplanada do Knesset, onde se encontrava o caixão, coberto com a bandeira israelita.

Apelidado de "bulldozer", Sharon, que tinha a patente de general no exército israelita, "deixou, talvez, no seu rasto, danos consideráveis, mas o objetivo e motivação eram sempre claros", considerou o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, emissário do Quarteto para o Médio Oriente.

O presidente israelita, Shimon Peres, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, prestaram homenagem ao combatente, famoso nomeadamente pelo papel durante a guerra do Yom Kippur (outubro de 1973) e pela "guerra contra o terrorismo".

Netanyahu comprometeu-se a "defender firmemente os princípios" do antecessor relativos à segurança de Israel.

"O Estado de Israel vai recorrer a todas as vias possíveis para impedir o Irão de se dotar de armas nucleares", repetiu o primeiro-ministro.

Ariel Sharon "foi o ombro sobre o qual repousava a segurança do país", declarou Peres.

Zeev Hever, frequentemente apresentado como o "cérebro" da colonização israelita, também prestou homenagem a Sharon, que em 2005 retirou da Faixa de Gaza, o que levou à expulsão de oito mil colonos que viviam no território.

"Ensinaste os filhos de Israel a combater e, em seguida, a fixarem-se. Foste o nosso grande mestre, até mesmo um pai, em tudo o que se refere à construção de colonatos", acrescentou.

Ariel Sharon foi sepultado às 14:00 (12:00 em Lisboa), com honras militares, na quinta da família, no sul de Israel, perto da fronteira com Gaza.

O general tinha decidido que seria sepultado ao lado da segunda mulher, Lily. Os dois filhos, Gilad e Omri, além do chefe do Estado-maior das forças armadas de Israel Benny Gantz, pronunciaram os discursos fúnebres.

Dada a proximidade de Gaza, controlada pelo movimento islamita palestiniano Hamas, o exército e os serviços de segurança enviaram reforços, elevando o nível de alerta por recearem disparos de granadas de morteiro. Baterias do sistema antimíssil móvel "Iron Dome" (Cúpula de Ferro) foram destacadas para o setor.

"Analisámos todos os cenários possíveis. O exército está pronto a reagir de imediato", advertiu o chefe da polícia da região sul do país, Yoram Halevy.

O número de aviões não tripulados que vigiam permanentemente Gaza também foi aumentado para tentar localizar eventuais combatentes palestinianos que se preparem para disparar contra o sul de Israel, acrescentou a rádio israelita.

A morte do antigo líder da direita nacionalista, no sábado, aos 85 anos e após oito anos em coma, mergulhou Israel numa atmosfera de luto geral.

Cerca de 20 mil israelitas recolheram-se, no domingo, perante o caixão, na esplanada do Knesset.

"Foi um génio, por vezes generoso e outras cruel", resumiu o diário Maariv.

O Haaretz citou mensagens trocadas entre a embaixada dos Estados Unidos em Israel e o departamento de Estado em Washington, divulgadas pelo WikiLeaks, para afirmar que Sharon, após retirar de Gaza, pretendia retiradas da Cisjordânia e concessões em Jerusalém Oriental, onde os palestinianos querem fazer a capital do futuro Estado.

Ariel Sharon ficará também na História como o artesão da desastrosa invasão do Líbano, em 1982, quando era ministro da Defesa.

Uma comissão de inquérito israelita concluiu existir "responsabilidade indireta" mas pessoal de Sharon no massacre de centenas de civis palestinianos, pelos aliados falangistas cristãos libaneses nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em Beirute, em setembro de 1982.

De Gaza a Ramallah e de Jenin aos campos de refugiados do Líbano, os palestinianos não esconderam a sua alegria quando foi anunciada a morte do "criminoso Sharon", lamentando que não tenha sido julgado pelos crimes cometidos.

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