Bento XVI pede a cristãos para ficarem na Terra Santa

Nos discursos na pequena cidade do Norte de Israel, o chefe da Igreja Católica privilegiou temas como a família, a mulher e as crianças. Escolha natural: segundo a tradição, foi ali que o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ia ser mãe. Foi também ali que Jesus cresceu.

Dezenas de milhares de peregrinos, incluindo portugueses, acorreram a Nazaré para participar na missa celebrada pelo Papa. Durante a homilia e, depois, nos encontros que manteve na pequena cidade onde tudo começou para os cristãos, Bento XVI insistiu em temas que lhe são caros e à Igreja: a defesa da família e das crianças, a paz, e a necessidade dos cristãos da Terra Santa serem corajosos ao ponto de não emigrarem. Exigiu ainda o reconhecimento e respeito pela dignidade da mulher, assim como o "seu carisma e talento".

"Como Maria, tendes um papel a desempenhar no plano de salvação de Deus", disse o Papa durante a cerimónia realizada na Basílica da Anunciação - templo construído sobre o local onde, de acordo com a tradição, o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que fora a escolhida por Deus para ser a mãe do seu filho.

Reconhecendo que os cristãos são uma minoria no Estado de Israel e nos territórios palestinianos, o que lhes torna a vida difícil e os leva a partir, Bento XVI recorda- -lhes a coragem e humildade de Maria e lança-lhes o desafio: "Tende a coragem de ser fiéis a Cristo e de permanecer aqui, nesta terra que ele santificou com a sua presença."

Actualmente e de acordo com o patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, os cristãos constituem apenas 2% da população, contra 3% em 1970.

Mas o Papa foi mais longe nos seus apelos. Ainda no santuário da Anunciação e num encontro com os chefes religiosos da Galileia, Bento XVI pediu para se protegerem as "crianças do fanatismo e da violência".

"Que os cristãos se unam aos judeus, muçulmanos, druzos e aos membros de outras religiões no desejo de proteger as crianças contra o fanatismo e a violência, enquanto as preparam para serem os construtores de um mundo melhor", disse o bispo de Roma que, horas antes, tinha tido o seu maior banho de multidão desde que iniciou a sua visita à Terra Santa.

No denominado Monte do Precipício, junto à cidade de Nazaré - também conhecida por "flor da Galileia"- , pelo menos 40 mil fiéis assistiram à missa celebrada por Bento XVI. Durante a homilia, o Papa pediu que cada um dos presentes "rejeite o poder destruidor do ódio e dos preconceitos, que destroem a alma humana antes de matar o corpo".

No penúltimo dia da visita à Terra Santa e na sua última homilia pública, o "homem de branco" recordou a "família de Nazaré" [Jesus, Maria e José] para defender a "indissolubilidade do matrimónio e a santidade" da família que é a "primeira pedra de uma sociedade bem organizada". Para Bento XVI, o Estado tem obrigação de a "proteger e de a apoiar na sua missão educadora", e de garantir que "todas as famílias possam viver com dignidade".

Na maior cidade árabe de Israel, a tentativa de construir uma mesquita em frente à basílica provocou amargo diferendo entre cristãos e muçulmanos. Ontem, Ratzinger pediu "às pessoas de boa vontade" das duas comunidades para "criar pontes" e encontrar os meios de "coabitarem pacificamente".

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