Lubitz estava medicado e escondeu aos médicos que continuava a pilotar

Copiloto que fez despenhar avião da Germanwings tinha depressão, ansiedade e ataques de pânico, para além de problemas de visão. Mentiu aos médicos e escondeu-lhes que não deixara de voar.

Andreas Lubitz, o copiloto do voo 4U 9525 que, no dia 24 de março, terá feito despenhar nos Alpes franceses o Airbus A320 da Germanwings, estava a ser tratado para uma depressão, ansiedade e ataques de pânico. Também estava a receber tratamento para problemas de visão e, por essa razão, estava de baixa médica, mas ocultou deliberadamente aos médicos que o seguiam que continuava a pilotar.

A notícia é avançada hoje pelo jornal alemão Bild, o mesmo que garante ter tido acesso a um vídeo gravado com smartphone por um dos passageiros nos minutos finais do voo que ligava Barcelona a Düsseldorf. Segundo o Bild, no dia em que provocou a queda do avião Lubitz estava a tomar vários medicamentos para controlar os ataques de pânico, ansiedade e tendências depressivas. Também tinha procurado ajuda médica para tratar um problema de visão que terá sido provocado por um acidente rodoviário que sofreu no final de 2014: a abertura do 'airbag' do carro deixou-o com um traumatismo e causou-lhe dificuldades não especificadas ao nível da visão.

Devido a todas estas questões de saúde, Lubitz estava de baixa médica. Os especialistas que o acompanhavam sabiam que era piloto da Lufthansa mas o jovem de 27 anos ocultou-lhes deliberadamente que continuava a voar, escreve o jornal.

A Lufthansa, proprietária da Germanwings, filial de baixo custo da companhia alemã, já admitiu que, em 2009, Lubitz tinha informado o empregador de que sofrera um "episódio de depressão severa". Mas esta quarta-feira o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, escusou-se a responder a qualquer pergunta relacionada com o estado de saúde do copiloto alemão, voltando a frisar que Lubitz estava "100% apto para voar".

Spohr, que se deslocou ao local do impacto do avião da Germanwings, disse ainda que será necessário "muito tempo" para compreender a tragédia. A Lufthansa já reconheceu que destinará cerca de 279 milhões de euros para as indemnizações que devem ser reclamadas pelos familiares das vítimas do desastre aéreo.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG