Israel diz que Irão conseguiu o que queria e que acordo é mau

O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, divulgou hoje um comunicado oficial em que defende que Teerão conseguiu "o que queria", considerando como mau o acordo alcançado em Genebra sobre o programa nuclear iraniano.

"É um mar acordo que dá o que o Irão queria: o alívio parcial das sanções e manutenção de uma parte essencial do seu programa nuclear", refere a nota oficial divulgada algumas horas após a conclusão de um acordo histórico entre as grandes potências mundiais e Teerão.

Para Israel, o acordo "permite ao Irão continuar a enriquecer urânio, deixar no local as centrifugadoras e produzir materiais para uma arma nuclear", realça o comunicado, lamentando o facto de o acordo não prever o desmantelamento das centrais nucleares iranianas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Avigdor Lieberman, afirmou, em declarações à rádio pública de Israel, que o acordo alcançado em Genebra é a "maior vitória diplomática do Irão" por ter conseguido "o reconhecimento do seu alegado direito legítimo de enriquecimento de urânio".

O ministro da Economia israelita, Naftali Bennett, sublinhou que Israel "não está comprometido com o acordo de Genebra" e que se o "Irão ameaçar o país, Israel terá o direito de se defender".

"O acordo deixa intacta a máquina nuclear iraniana e poderá permitir ao Irão produzir uma bomba num período de seis a sete semanas, Israel está preparado para qualquer eventualidade", declarou à rádio militar.

Netanyahu opôs-se a um alívio das sanções contra Israel e nunca excluiu a possibilidade de um ataque militar contra as instalações militares iranianas.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tentou esta noite garantir a Israel que o acordo com o Irão deixa o mundo e Israel seguros e que o objetivo de Israel e dos Estados Unidos é comum, ou seja, evitar que Teerão venha a ter uma bomba nuclear.

O Governo iraniano comprometeu-se com os Estados Unidos, a Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha a parar o enriquecimento de urânio até 20% e a fazê-lo abaixo de 5%, apenas o suficiente para o seu uso civil, bem como a não expandir as centrais nucleares de Fordo e Natanz e a parar a construção da central de Arak, onde se poderia produzir plutónio.

Em troca, as grandes potências garantem o alívio das sanções contra o Irão, avaliadas em sete mil milhões de dólares, durante o período de seis meses durante o qual o acordo é válido, mas se Teerão não o cumprir por completo as sanções voltarão a entrar em vigor.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse, também em conferência de imprensa em Genebra, esta noite, que serão implementados mecanismos de controlo "sem precedentes" do programa nuclear iraniano, com "acessos diários" de mecanismos de verificação a todas as instalações nucleares do país.

"Isto garantirá que o programa será submetido a mecanismos de vigilância que a comunidade internacional jamais teve antes", sublinhou.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, a Agência Internacional de Energia Atómica terá um controlo total sobre o programa nuclear iraniano.

Este acordo entre o Irão e os membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha representa um momento histórico na diplomacia recente e prevê a primeira paralisação do desenvolvimento do programa nuclear iraniano na última década.

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