Imigrantes da UE beneficiaram finanças britânicas nos últimos 10 anos

Imigrantes contribuíram mais no pagamento de impostos do que o que receberam em apoios sociais.

Os imigrantes da União Europeia no Reino Unido pagaram mais em impostos na última década do que receberam em apoios sociais, apresentando uma contribuição fiscal líquida de 26 mil milhões de euros, concluiu um estudo publicado hoje.

Numa altura em que o debate sobre imigração domina a agenda no país, um estudo da University College London (UCL) concluiu que, entre 2001 e 2011, os imigrantes dos países que aderiram à UE em 2004 - principal alvo dos defensores de limites à imigração - tiveram uma contribuição líquida de 6,4 mil milhões de euros e os dos 15 "membros originais" 19,1 mil milhões.

Em comparação, os trabalhadores britânicos apresentaram uma contribuição líquida negativa de 753,5 mil milhões de euros e os imigrantes de países não europeus de 150,4 mil milhões, também negativos.

"Uma preocupação central no debate público sobre migração é se os imigrantes contribuem equitativamente para os sistemas fiscal e de assistência social", afirmou o diretor do Centro de Investigação e Análise da Migração do UCL, Christian Dustmann.

"A nossa análise traça uma imagem positiva da contribuição fiscal global dos grupos de imigrantes recentes, especialmente dos imigrantes provenientes da UE", acrescentou.

Os imigrantes europeus contribuíram mais para as finanças públicas do que retiraram delas, porque é mais provável trabalharem que os britânicos e porque recebem menos apoios sociais, segundo o estudo.

"Os imigrantes europeus, tanto dos países que aderiram mais recentemente como do resto da UE, fazem as contribuições mais substanciais", disse Dustmann.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu a necessidade de impôr limites à entrada de imigrantes dos outros países da UE quando, na preparação do referendo sobre a permanência do país na União que prometeu para 2017, renegociar a relação do Reino Unido com Bruxelas.

A proposta já provocou tensões com a Comissão Europeia e com outros governos europeus.

Segundo a imprensa alemã, a chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu Cameron de que está a "atingir um ponto de não retorno" ao persistir na revisão das regras de livre circulação na UE e, dias depois, o seu porta-voz afirmou que este princípio "é inegociável" para a Alemanha.

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