Histórias dos que sobreviveram ao ébola e querem voltar a África

Dois médicos e um enfermeiro foram infetados mas receberam tratamento nos seus países e podem agora contar as suas histórias. Os cuidados que receberam fizeram a diferença em relação ao que se passa nas zonas mais atingidas

Quando Silje Michalsen chegou à Serra Leoa para a sua primeira missão em África não podia imaginar o cenário que ia encontrar nem prever o desfecho da experiência. A médica norueguesa aterrou no país a 2 de junho, sete dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar o primeiro caso de ébola no país. No dia em que chegou já havia 50 casos suspeitos, um mês depois eram 239, a ponta do icebergue. O alastrar do vírus mudou-lhe os planos: tinha ido combater a febre de Lassa e acabou no meio da maior epidemia de sempre de ébola. Durante três meses, em Bo, a segunda cidade do país, viu o vírus aproximar-se e espalhar-se, viu doentes morrerem e colegas adoecerem, até que um dia foi a sua vez. Mas esta médica de 30 anos sobreviveu para contar a sua história e chamar a atenção para os milhares de histórias por contar na África Ocidental.

Sobreviver ao ébola é mais do que um jogo de probabilidades, mas os números são assustadores: 10 136 casos na África Ocidental, 4921 mortes, ou seja, uma taxa de letalidade a rondar os 50%, que alguns especialistas empurram para os 70%. Silje conhecia os números e a realidade que escondem. "No sábado, 4 de outubro, sentia-me mal quando cheguei a casa, medi a temperatura e descobri que tinha um pouco de febre." Isolou-se no quarto e aguardou pelos resultados dos testes feitos pelos colegas - o da malária deu negativo, o do ébola veio positivo.

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