Filhos de ministros turcos em preventiva por corrupção

Os dois filhos dos ministros do Interior e da Economia da Turquia foram hoje acusados e colocados em prisão preventiva por juízes de Istambul no âmbito de um escândalo de corrupção, informou a televisão local.

O diretor-geral de um grande banco público, o Halkbank, está também entre as personalidades que foram acusadas de corrupção ativa, fraude, tráfico de ouro e desfalque, segundo os canais de televisão NTV e CNN-Turquia.

Esta é a primeira vez que um escândalo desta dimensão atinge os mais próximos do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que governa a Turquia desde 2002 à frente de um Governo islâmico-conservador.

Os juízes responsáveis pelo caso decidiram também acusar e deter o empresário iraniano-azeri Reza Zerrab por suspeita de estar no centro do tráfico ilegal de ouro para o Irão, alvo de sanções económicas internacionais.

Por seu lado, o filho do ministro do Ambiente, também ouvido pela polícia, no âmbito da operação que envolveu cerca de 80 pessoas, foi libertado esta madrugada depois de ter sido interrogado durante várias horas pelos procuradores e pelos juízes.

O primeiro-ministro da Turquia classificou na quarta-feira como uma "suja operação" contra o seu Governo este inquérito judicial, desencadeado na terça-feira.

"Está em curso uma suja operação (...) não aceitaremos estas manipulações políticas", declarou Erdogan perante os 'media', ao lançar o contra-ataque num caso que agita todo o país.

Pouco antes, o porta-voz do seu governo e vice-primeiro-ministro, Bulent Arinç, tinha já criticado uma "campanha planificada de difamação (...) elaborada no âmbito do que parece ser uma guerra psicológica".

Erdogan e Arinç não apontaram os responsáveis da operação policial e judicial, mas observadores turcos têm identificado a poderosa confraria muçulmana do intelectual Fetullah Gulen, exilado nos Estados Unidos desde 1999.

Numa autêntica onda de choque que alastrou pelo país, 29 oficiais da polícia, cinco altos responsáveis da polícia de Istambul, incluindo o chefe da direção financeira, já foram demitidos por "terem ultrapassado os seus poderes", referiu a edição digital do diário Today's Zaman.

Para este caso, foram designados dois novos procuradores para apoiar os dois magistrados responsáveis pela condução do inquérito, "atendendo à importância da investigação".

Estas decisões sublinham o incómodo que este caso está a suscitar nas mais altas esferas do Estado turco, ao porem em causa numerosas personalidades consideradas próximas do governo e do seu líder, para além das alegações de crescentes divergências entre Erdogan e o Presidente Abdullah Gul, ambos membros do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002).

Numerosos observadores consideram este caso como uma nova etapa do conflito que opõe Erdogan à organização de Fetullah Gulen, designada "hizmet" (o serviço).

Apoiante incondicional do governo do AKP, e considerada muito influente na polícia e na justiça turcas, a confraria de Gulen entrou em rota de colisão com o executivo após a sua recente decisão de encerrar as instituições de apoio escolar privado, uma importante fonte de receitas do "hizmet".

A oposição, que segundo as sondagens vai ser derrotada por larga margem nas municipais de 2014, aproveitou a atual "onda de choque" para exigir a demissão de Erdogan.

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