Tumultos alastram a Manchester e arredores de Birmingham

Manchester e Birmingham são os mais recentes focos de violência da onda de vandalismo e pilhagens que está a varrer a Inglaterra. Os tumultos começaram há três dias em Londres e alastraram-se por vários bairros da capital britânica e arredores e por algumas das principais cidades do país.

Segundo o mapa interactivo do jornal de The Guardian, registaram-se distúrbios em Londres e em várias localidades dos arredores da capital, no condado de Medway, junto à foz do rio Tamisa, em Bristol, no oeste do país, Birmingham e Nottingham, na região centro, e em duas cidades do norte de Inglaterra: Liverpool e Manchester.

Desde cerca das 18:00 que se registam focos de violênciaem Sandwell e Wolverhampton, nos arredores de Birmingham. Um pouco mais a norte, Manchester ameaça tornar-se no novo campo de batalha entre a polícia e os grupos de jovens que destroem carros e lojas e roubam. Desde as 19:00 que se verificam situações de violência em várias área do centro da cidade

A Polícia Metropolitana está a avisar os pais para não deixaram os adolescentes saíram à rua esta noite, num claro indício de que as autoridades se preparam para passar à ofensiva, com tácticas mais agressivas para travar os distúrbios e pilhagens que começaram em Londres e alastraram a outras cidades do Reino Unido, tendo causado já um morto. O próprio primeiro-ministro, David Cameron, disse ser necessária "mais polícia" a uma acção "mais robusta".

"Quero lembrar as pessoas de que na última noite a situação se agrabou. Havia demasiados jovens nas ruas de Londres na noite passada em locais que eram perigosos e violentos. Mantenham-nos em casa esta noite. Nós levaremos a cabo um policiamento muito robusto em quaisquer eventos de desordem que virmos esta noite. Isto não é um jogo, isto é criminalidade, é violência", avisou o comissário interino Tim Godwin. A polícia já começou a divulgar imagens dos suspeitos, para que a população possa ajudar a identificar.

(Imagens dos distúrbios em Woolwich)

Esta manhã, depois de uma reunião do comité governamental de emergência, Cameron anunciou uma reunião extraodrinária do Parlamento. E prometeu "muito mais polícia e acção ainda mais robusta". "Isto é criminalidade pura e simples que deve ser confrontada e desafiada", disse o primeiro-ministro britânico, avisando os jovens envolvidos nos distúrbios que sentirão o peso da justiça: "Vão sentir a força total da lei e se tiverem idade suficiente para cometerem estes crimes têm idade suficiente para serem punidos. Não só estão a arruinar as vidas de outros e das vossas comunidades, estão potencialmente a arruinar também as vossas", afirmou Cameron, anunciando a presença de 16 mil polícias nas ruas esta noite.

(Imagens de violência em Lewisham)

De Tottenham a Birmingham, Liverpool e Bristol

Os distúrbios que começaram esta semana em Tottenham, na zona da grande Londres, estão a alastrar ao resto do Reino Unido. Já se registaram pilhagens e violência, a "pior da história recente", segundo a Polícia Metropolitana, em quatro cidades: na capital britânica, em Birmingham, Bristol e agora Liverpool. Ontem à noite, um homem de 26 anos foi baleado durante os distúrbios registados em Croydon, Londres. O homem foi hospitalizado em estado muito grave e morreu já esta manhã. A polícia abriu um inquérito.

O mais novo foco de violência registou-se em Liverpool (Norte de Inglaterra), nomeadamente no bairro de Toxteth. Foram detidas seis pessoas e as autoridades foram incapazes de apanhar mais criminosos, pois a multidão dividiu-se em grupos muito pequenos.

Em Bristol, na zona Oeste de Inglaterra, 150 pessoas lançaram o caos nas zonas de St Pauls e Stokes Croft, no mesmo local onde já este ano se tinham registado distúrbios em protesto pela abertura de uma nova loja dos supermercados Tesco, diz o Daily Telegraph.

Birmingham, no centro do país, transformou-se no primeiro e o mais grave foco de violência fora da grande Londres. Cerca de 200 jovens com máscaras juntaram-se e pilharam lojas e escritórios, depois de uma campanha nas redes sociais ter começado ontem à tarde a incentivar as pessoas a copiarem os eventos registados na capital do país. Foram detidas mais de 100 pessoas e criada uma zona de exclusão à volta de um centro comercial, descreve o Daily Telegraph.

Chris Simms, da polícia de West Midlands, disse que 400 agentes enfrentaram 700 vândalos: "Foi uma noite realmente terrível para o país e em particular para Birmingham. Tivemos várias horas de roubos arbitrários, danos e desordem. Não se tratou de uma multidão furiosa mas sim de uma multidão gananciosa. Estamos a lidar com desonestidade, não desordem."

Segundo o mesmo jornal, a Polícia Metropolitana admite que esta onda de violência, registada a apenas um ano dos Jogos Olímpicos, é "a pior dos últimos tempos" e convocou todos os auxiliares da polícia. Estiveram nas ruas de Londres 6000 polícias na última noite e a Polícia Metropolitana promete que vão estar 13000 ao serviço nas próximas horas.

Foram detidas mais de 450 pessoas e hoje as autoridades vão 'à caça' dos líderes dos grupos que pilharam e lançaram o caos e várias zonas da Londres: começou por Tottenham há dois dias, alastrou para Brixton, zona onde vivem muitos portugueses, Enfield, Walthamstow, Wood Green e Chingford, e nas últimas horas chegou a Ealing, Croydon, Clapham e Notting Hill.

Cameron regressa de férias mais cedo

O comité governamental de emergência, conhecido por Cobra, esteve reunido esta manhã, depois de o primeiro-ministro David Cameron ter antecipado o fim das suas férias em Itália. Mas o governo está a ser pressionado a chamar as forças armadas. James Clark, ex-director de comunicação do Ministério da Defesa, escreveu no Twitter que a Força Aérea pode vir a ser chamada para auxiliar as operações policiais no terreno.

O próprio partido de Cameron lança críticas: Patrick Mercer, deputado que foi militar e serviu na Irlanda do Norte, pergunta porque não se aplicam as mesmas técnicas que em Belfast quando há distúrbios entre unionistas e lealistas: balas de borracha e canhões de água.

Mas a ministra do Interior, Theresa May, recusa o recurso às forças armadas e salienta que a polícia britânica não exerce o seu poder através de canhões de água mas sim da "colaboração com as autoridades".

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