Três Nobel da Paz contestam prémio atribuído à UE

Três Prémios Nobel da Paz, incluindo o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, contestaram hoje a atribuição daquele galardão, este ano, à União Europeia.

Em carta aberta à Fundação Nobel, Mairead Maguire, ativista pela resolução pacífica do conflito na Irlanda do Norte, Adolfo Perez Esquivel, artista argentino com trabalho em prol dos direitos humanos, e Desmond Tutu consideraram que, por se basear na força militar para garantir a segurança, a União Europeia (UE) contraria os valores associados ao Nobel da Paz.

A UE "não é claramente a 'defensora da paz" que Alfred Nobel tinha em mente" quando criou o prémio, sustentaram, na carta, datada de quarta-feira e a que a agência noticiosa AP teve acesso.

Isto porque, a UE tem uma política de segurança "baseada na força militar e nas guerras travadas, em vez de insistir na necessidade de uma abordagem alternativa".

Exigindo que os oito milhões de coroas suecas (930 mil euros) não sejam atribuídos este ano, consideraram que a decisão do Comité Nobel norueguês para este ano "redefine e reformula o prémio de uma forma que não está em concordância com a lei".

"Este tipo de críticas nunca é desejável, mas o Comité já debateu, várias vezes, alegações semelhantes e concluiu que [o prémio deste ano] está em linha com a vontade de Nobel", respondeu Geir Lundestad, secretário do Comité Nobel, citado pela AP.

O Comité Nobel decidiu atribuir este ano o Prémio da Paz à UE, que será entregue a 10 de dezembro, por promover "a paz e a reconciliação, a democracia e os direitos humanos" na Europa, desde a Segunda Guerra Mundial.

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