Serviços secretos franceses também espiam comunicações

Os serviços secretos franceses intercetam "a totalidade das comunicações" em França e guardam-nas "durante anos", sem qualquer controlo, escreve hoje o diário 'Le Monde', na sequência das revelações de espionagem em grande escala pelos EUA feitas por Edward Snowden. Instado a reagir pela agência noticiosa francesa AFP, o governo ainda não tinha respondido até ao início da noite.

Esta revelação, que coloca em causa da Direção-Geral de Segurança Externa (DGSE, o serviço de informações encarregue de espiar no estrangeiro), ocorre em plena vaga de indignação na Europa causada pelas alegações de espionagem de cidadãos e instituições europeias pelos EUA.

O 'Le Monde' noticia que a DGSE "coleta sistematicamente os sinais eletromagnéticos emitidos pelos computadores em França, tal como os fluxos entre os franceses e o exterior", sintetizando que "a totalidade das comunicações [dos franceses] é espiada".

O fruto desta recolha de informação -- como correio eletrónico, mensagens curtas (SMS), números telefónicos marcados, Facebook e Twitter -- é armazenado "durante anos" num supercomputador na sede da DGSE, em Paris.

Os outros serviços, garante o 'Le Monde', como a contraespionagem ou o de fronteiras, vão lá diariamente para obter a informação que lhes interessa.

Em comunicado de reação às informações do Le Monde, o deputado socialista Jean-Jacques Urvoas, corelator da missão de avaliação do quadro jurídico aplicável ao serviço de informações, sublinhou que "as questões das informações lidam mal com fantasmas e imprecisões".

Considerou ainda que a afirmação de que "'a totalidade das comunicações [dos franceses] é espiada [e] guardada durante anos' não corresponde à realidade" que diz conhecer.

Acrescentou ainda que as interceções que envolvem cidadãos franceses são submetidas a um pedido de autorização da Comissão de Controlo das Interceções de Segurança (CCIS) e que a informação obtida deve ser destruída depois de utilizada.

"Os cidadãos franceses não estão sujeitos a uma espionagem massiva, permanente e fora de qualquer controlo", assegurou.

Durante a sua audição, em 20 de fevereiro, na comissão parlamentar de Defesa, o então chefe da DGSE, Erard Corbin de Mangoux, dissera que o seu serviço "dispunha do conjunto das capacidades de informação de origem eletromagnética". A DGSE tinha podido "desenvolver um importante dispositivo de interceção de fluxos na internet", acrescentara na ocasião.

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