Sérvia alcança estatuto de candidato à União Europeia

Dois anos após ter solicitado oficialmente a adesão à UE, o Governo de Belgrado obtém o ambicionado estatuto de candidato.

Os líderes europeus decidiram em Bruxelas atribuir à Sérvia o estatuto de candidata à adesão à União Europeia, "recompensando" assim Belgrado pelos seus esforços na captura de criminosos de guerra e na normalização das relações com o Kosovo.

A decisão foi tomada unanimemente pelos chefes de Estado e de Governo dos 27 durante o Conselho Europeu, que decorre em Bruxelas, e vai no sentido da recomendação feita em outubro último pela Comissão Europeia, depois de Belgrado ter retirado o grande obstáculo que tinha no seu caminho rumo à UE ao deter e entregar ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Jugoslávia os dois criminosos de guerra que ainda se encontravam a monte, Ratko Mladic e Goran Hadzic.

Na altura, o executivo comunitário advertia, todavia, para a necessidade de Belgrado ter de investir mais, e de forma construtiva, na sua reaproximação a Pristina, a questão que, de resto, levou a que a decisão de atribuição do estatuto de país candidato à Sérvia fosse adiada no Conselho Europeu de dezembro passado, à luz de confrontos na zona fronteiriça e um impasse no diálogo entre as duas partes.

No entanto, na semana passada, e após meses de conversações, sérvios e kosovares atingiram finalmente um acordo de cooperação regional, bem como de gestão concertada dos postos fronteiriços, suficiente para dissipar as reservas que alguns Estados membros da União ainda tinham em conceder a Belgrado o estatuto de candidato à adesão.

A decisão até poderia já ter sido tomada na última terça-feira, num Conselho de Assuntos Gerais (ao nível de ministros dos Assuntos Europeus dos 27), mas uma questão levantada pela delegação romena - que reclamava garantias para a minoria romena na Sérvia, mas que foi entretanto ultrapassada - levou ao adiamento da decisão oficial para hoje.

Deste modo, e 13 anos depois de Belgrado ter sido bombardeada pela NATO, a Sérvia vê recompensados os esforços de aproximação à Europa, levados a cabo sobretudo pelo presidente Boris Tadic (um pró-europeísta, eleito em 2004), e junta-se a outras ex-repúblicas da antiga Jugoslávia que ambicionam aderir ao bloco europeu, ao qual já pertence a Eslovénia (desde 2004) e a qual se juntará em julho de 2013 a Croácia.

Montenegro e Macedónia também já têm o estatuto de países candidatos, mas aguardam ainda a abertura formal de negociações, e só a Bósnia, que continua a atravessar momentos políticos muito conturbados, ainda nem sequer solicitou o estatuto de candidata.

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