Secreta norueguesa desmente espionagem da NSA

Os serviços secretos noruegueses desmentiram hoje a notícia sobre um programa norte-americano de espionagem de chamadas telefónicas na Noruega, afirmando que ela se baseia numa confusão e que a vigilância de comunicações foi feita pelos próprios serviços noruegueses.

O jornal Dagbladet noticiou hoje que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos recolheu metadados (número e identificação dos interlocutores, local, data e duração) de 33,2 milhões de chamadas de telemóvel na Noruega em apenas um mês, citando documentos revelados por Edward Snowden.

"Podemos revelar que não é correto", disse em conferência de imprensa o diretor dos serviços de informações militares noruegueses, Kjell Grandhagen.

A notícia do Dagbladet, disse, tem por base uma confusão, uma vez que as comunicações foram espiadas pelos serviços noruegueses no estrangeiro, em apoio de operações militares norueguesas ou no âmbito da luta contra "o terrorismo internacional".

As informações recolhidas foram depois partilhadas com outros serviços de informações, entre os quais a NSA, disse.

"Não temos informações que permitam concluir que os norte-americanos conduzam tais atividades na Noruega ou contra a Noruega", disse Grandhagen.

Antes de ser desmentida, a notícia do Dagbladet suscitou o desgrado da primeira-ministra, Erna Solberg.

"Os amigos não se devem vigiar mutuamente", disse a chefe do Governo à televisão pública NRK. "As informações e a cooperação em matéria de informações são legítimas, mas devem visar suspeitas concretas e ameaças concretas", acrescentou, precisando que pretendia abordar a questão com a administração norte-americana.

Segundo o Dagbladet, o caso envolve 33,2 milhões de chamadas efetuadas entre 10 de dezembro de 2012 e 08 de janeiro de 2013.

"É muito grave e é evidentemente inaceitável que existam programas de vigilância de cidadãos noruegueses com tal amplitude", considerou o diretor do organismo norueguês de proteção de dados (Datatilsyn), Bjoern Erik Thon, também antes do desmentido.

Ao Dagbladet, as autoridades norueguesas disseram não ter conhecimento do programa de vigilância de comunicações e dois grandes operadores, a Telenor e Netcom, disseram ao jornal não ter dado acesso à NSA.

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