Rússia pode responder como na Geórgia, diz Lavrov

A Rússia responderá a qualquer ataque aos seus interesses na Ucrânia como fez na Geórgia em 2008, através de uma intervenção militar, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

"Se os nossos interesses legítimos, os interesses dos russos, forem atacados diretamente, como foram, por exemplo, na Ossétia do Sul (república separatista da Geórgia), não vejo outra maneira de responder, no respeito pelo direito internacional", disse Lavrov ao canal de televisão RT.

"Um ataque contra cidadãos russos é um ataque à Rússia", acrescentou.

Em 2008, a Rússia interveio militarmente na Geórgia e, após um conflito armado de cinco dias, reconheceu a independência das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

As declarações do ministro russo seguem-se ao anúncio pelas autoridades ucranianas do reinício da operação "antiterrorista" contra as forças separatistas do leste da Ucrânia, horas depois da partida do país do vice-presidente norte-americano, Joe Biden.

Na entrevista à RT, Serguei Lavrov considerou que as decisões do Governo ucraniano são "dirigidas" pelos Estados Unidos.

"É evidente que os Estados Unidos escolheram o momento da visita do vice-presidente para anunciar a retomada da operação, operação que tinha sido lançada imediatamente após a visita a Kiev de John Brennon (diretor da CIA)", disse Lavrov.

"Não tenho nenhuma razão para não acreditar que os norte-americanos dirigem o espetáculo da maneira mais direta", disse.

O ministro russo acrescentou que Kiev não está a cumprir as disposições do acordo de Genebra, assinado na quinta-feira pela Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia.

"Kiev não cumpriu nada do que tinha de começar a cumprir do que foi acordado em Genebra", disse.

A Ucrânia e os Estados Unidos também acusam a Rússia de não cumprir o acordo de Genebra, reiterando os apelos para que Moscovo se distancie das forças separatistas do leste ucraniano.

O acordo de Genebra prevê entre outras medidas o desarmamento de todos os grupos ilegais e a evacuação de todos os edifícios públicos ocupados, na capital, onde se mantêm manifestantes na praça Maidan, ou no leste do país, onde forças separatistas tomaram edifícios governamentais em várias cidades.

MDR // VM

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