Rússia condena apoio de países ocidentais à Ucrânia

A Rússia condena o "apoio indecente" dado por alguns governos europeus à oposição ucraniana, declarou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

"Teríamos preferido que alguns dos nossos colegas europeus não se comportassem com tão pouca cerimónia relativamente à crise ucraniana", disse aos jornalistas.

Lavrov reagia à reunião entre responsáveis da UE e dos Estados com líderes do movimento de oposição ao Presidente ucraniano, Viktor Ianukovitch, e de uma visita ao centro dos protestos em Kiev.

"Membros de vários governos europeus ocorreram a Maidan (Praça da Independência) sem qualquer convite e participaram em manifestações antigovernamentais num país com o qual mantêm relações diplomáticas. Isto é simplesmente indecente", sublinhou Lavrov, numa referência aos acontecimentos ocorridos em dezembro.

O chefe da diplomacia russa considerou que a situação na Ucrânia está a fugir ao controlo das autoridades, como mostram os apelos à calma feitos pelos líderes da oposição.

"Penso que os apelos à calma dos líderes da oposição, como Vitali Klitschko, mostram que a situação começa a fugir a qualquer controlo", declarou, num comentário aos confrontos entre manifestantes e forças de segurança que se registam desde domingo em Kiev.

Lembrou que os manifestantes, que ocupam há dois meses a Praça da Independência, no centro de Kiev, também ocuparam edifícios públicos como a câmara municipal. "Imaginem que isto acontece num dos países da UE. Possível? Nunca seria autorizado", disse. "Agora são os ataques contra a polícia, incêndios, 'cocktails molotov', engenhos explosivos variados. É uma violação de todas as normas europeias", acrescentou.

As manifestações na Ucrânia começaram há dois meses, depois de o Presidente Ianukovitch ter inesperadamente recusado um acordo de associação com a UE, em prol de uma aproximação à Rússia de Vladimir Putin. A UE acusou a Rússia de ter pressionado a Ucrânia, nomeadamente, através de ameaças económicas.

Vários responsáveis europeus, incluindo o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Guido Westerwelle, e a secretária de Estado adjunta norte-americana, Victoria Nuland, estiveram entre os manifestantes, em dezembro, na Praça da Independência.

Bruxelas e Washington acusaram na segunda-feira o poder ucraniano de ter levado a uma escalada dos confrontos com a oposição, ao adotar leis consideradas repressivas para os manifestantes.

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