Rússia "chumba" resolução apresentada na ONU

O projeto de resolução apresentado ao Conselho de Segurança da ONU sobre a situação humanitária na Síria é "absolutamente inaceitável", declarou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

"As ideias que nos foram transmitidas (...) são absolutamente inaceitáveis e contêm um ultimato para o Governo" sírio, declarou Lavrov.

"Tem-se a impressão que se tenta utilizar o tema da situação humanitária como não há muito tempo o das armas químicas, para encontrar um pretexto para parar o processo político, acusar Damasco e regressar ao cenário militar para mudar o regime", disse ainda Lavrov, no final de um encontro com o seu homólogo argelino, Ramtane Lamamra.

O chefe da diplomacia russa considerou que "o Conselho de Segurança deveria prestar atenção a um aspeto não menos importante (da crise): o aumento do terrorismo".

Os ocidentais tentaram na segunda-feira obter o acordo da Rússia acerca de uma resolução sobre a situação humanitária na Síria, mas o representante de Moscovo na ONU, Vitali Tchurkine, indicou que o seu país a recusará.

O projeto de resolução, do qual a agência France Presse obteve uma cópia, exige o acesso livre e seguro às populações que precisam de ajuda e "o levantamento imediato dos cercos" de várias cidades.

A resolução refere a cidade velha de Homs, mas também Nubl e Zahra na região de Alepo (norte), o campo palestiniano de Yarmouk em Damasco e várias localidades de Ghouta (periferia rural de Damasco).

A resolução não é vinculativa e não prevê sanções automáticas em caso de incumprimento, mas deixa aberta a possibilidade de o Conselho votar posteriormente punições individuais contra os que "dificultarem a ajuda humanitária" ou cometerem violências contra os civis.

Aliada da Síria, a Rússia já bloqueou por três vezes desde o início da crise resoluções visando pressionar Damasco.

O conflito na Síria já provocou mais de 130.000 mortos desde março de 2011, de acordo com as Nações Unidas.

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