Rússia apresenta propostas sobre cooperação no campo energético

O Presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou hoje na capital finlandesa que a Rússia apresentará aos seus parceiros do G-20 e da Comunidade de Estados Independentes as suas propostas sobre a cooperação no terreno energético, incluindo o transporte dos recursos energéticos.

"Hoje mesmo, entregarei ao G-8, G-20, aos países da CEI e aos nossos vizinhos mais próximos como a Finlândia, um documento básico que determina os aspectos da cooperação no terreno, incluindo as propostas sobre o acordo de transporte de combustível", declarou Medvedev numa conferência de imprensa depois de conversações com a sua homóloga finlandesa.

O dirigente russo assinalou que "Moscovo deseja iniciar quanto antes as respectivas conversações com os parceiros da União Europeia e espera que as propostas russas sejam acolhidas de forma construtiva".

Arkadi Dvorkovitch, assessor de Medevev para assuntos económicos, explicou que este documento é composto por três princípios fundamentais.

"Trata-se de um documento que contém três capítulos", declarou Dvorkovitch, que acompanha o Presidente russo.

"O primeiro contém os princípios da cooperação energética internacional que devem servir de base ao novo documento jurídico internacional. O segundo prevê os elementos de um acordo sobre o trânsito, cuja parte constituinte poderá ser um tratado sobre a solução de situações de conflito nessa esfera, na esfera do trânsito", explicou.

Segundo Dvorkovitch, "o terceiro capítulo prevê os materiais e produtos que consideramos que devem ser abrangidos por actos jurídicos".

O assessor considera que as propostas russas não serão uma surpresa para os países europeus, mas sublinha que a União Europeia terá de realizar um grande trabalho interno caso sejam aprovadas.

"Já dissemos muitas vezes que não estamos satisfeitos com os documentos que fazem parte do sistema da Carta Energética e que achamos necessário criar uma nova base normativa e jurídica", acrescentou.

Quanto à construção do North Stream, gasoduto que ligará a Rússia à Alemanha através do Mar Báltico, Medvedev defendeu que ele é vantajoso para Europa, porque garantirá a sua segurança energética.

"Trata-se de projectos que formam a armação da segurança energética europeia e as numerosas vias alternativas de fornecimento de gás apenas incrementarão a segurança e não o contrário, e, por essa razão, a Rússia continuará avançando nessa direcção observando as normas ecológicas", sublinhou.

O gasoduto, que deverá entrar em funcionamento em 2010, precisa do apoio dos países da bacia do Báltico para ser construído. A Suécia, a Estónia e a Finlândia têm dúvidas quanto à sua segurança ecológica.

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