Primavera árabe não cumpriu todas as promessas

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje que a "Primavera Árabe" não cumpriu todas as promessas de democracia e abertura, mas considerou que tal não é razão para enfraquecer esforços.

Questionado, na conferência de imprensa no final da IV Cimeira UE-África, sobre a situação nos países do norte de África que experimentaram a chamada "primavera árabe", designadamente Líbia, Egito e Tunísia, o presidente do executivo comunitário reconheceu que algumas expetativas foram defraudadas, mas garantiu que a União Europeia mantém o seu empenho na política de vizinhança e promoção da democracia.

Sustentando que é necessário "não abandonar as esperanças de democracia e abertura que a primavera trouxe", na qual a própria UE também apostou, e que a Europa continua comprometida com a sua política de vizinhança relativamente aos parceiros do outro lado do Mediterrâneo, José Manuel Durão Barroso sublinhou no entanto uma ideia que disse ser aplicável tanto aos países do Magrebe como ao conjunto da relação entre UE e África: "não se pode impor um modelo a partir do exterior".

O presidente da Comissão disse que a UE pode prestar ajuda, e tem-no feito, "mas é às pessoas de dentro (de cada país) que cabe definir o seu próprio futuro", e "não é desde o exterior que se pode impor um certo modelo".

Lamentando que, "infelizmente, alguns países tenham conhecido algumas perturbações" que defraudaram um pouco as expetativas sobre o seu caminho rumo à democracia, Durão Barroso salientou no entanto que a situação muda consideravelmente de país para país, havendo também alguns que já alcançaram a estabilidade, mostrando que é possível conciliar esta com a democracia.

ACC/ATF/IG/VM // APN

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