Presidência de Hollande perturbada por primeira-dama

A presidência que François Hollande prometeu "normal" está a ser perturbada por um episódio mediático desencadeado por uma mensagem da primeira-dama francesa na Internet, expressando apoio, nas legislativas de domingo, ao adversário da ex-mulher de Hollande.

As 22 palavras publicadas na rede social Twitter bastaram para criar a primeira tempestade política do mandato de François Hollande, eleito em maio Presidente da República francesa.

A sua companheira, a (ainda) jornalista Valérie Trierweiler, desejava, numa mensagem publicada na terça-feira à tarde, boa sorte ao rival [Olivier Falorni] da ex-mulher de François Hollande, Ségolène Royal, poucas horas depois de o Presidente ter anunciado que apoiava Royal.

A ex-mulher de Hollande, e candidata presidencial em 2007, vai lutar pelo lugar de deputada na Assembleia Nacional no departamento da Rochelle (oeste), contra o dissidente socialista Olivier Falorni, que ficou em segundo lugar na primeira volta de dia 10, e que pode conseguir eliminá-la no próximo domingo.

O episódio fez as delícias dos média e da direita, em vésperas da eleição final. O diário de esquerda Libération fez capa com a jornalista, e titulou "A 'primeira-gafe' francesa", considerando que a atitude de Trierweiler colocou Hollande numa "posição delicada".

O diário de direita Le Figaro foi ainda mais longe, escrevendo que aquela mensagem causara "espanto e confusão" no Partido Socialista francês, e antecipando que o gesto da primeira-dama teria "consequências pesadas".

A União por um Movimento Popular (UMP, partido da direita, do ex-Presidente Nicolas Sarkozy) também tentou tirar proveito do episódio. Eric Ciotti, candidato a deputado pela UMP, afirmou na rádio considerar a situação "grotesca e ridícula". Disse ainda que ela "enfraquece a posição do chefe de Estado".

Valérie Trierweiler recebeu ainda um recado do primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, que disse aos jornalistas considerar que a primeira-dama devia ter "um papel discreto", mas acrescentou que isso "é difícil de se conseguir".

"Percebo que as coisas sejam um pouco complicadas no início, mas toda a gente precisa de encontrar o seu lugar", afirmou o novo chefe de Governo, nomeado, em maio, por François Hollande.

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