Políticos espiados por detetives privados na Catalunha

Uma empresa de detetives privados da Catalunha, a Método 3, terá espiado e compilado relatórios sobre vários políticos espanhóis, incluindo o comissário europeu Joaquim Almunia e ex-responsáveis do Governo regional, segundo o jornal La Vanguardia.

As novas informações sobre os alvos de espionagem surgem depois de o jornal ter revelado, esta semana, que a Polícia Nacional espanhola estava a investigar a existência de uma suposta rede que teria espiado políticos na Catalunha, gravando conversas em restaurantes e em outros locais.

Instado a comentar o facto de o seu nome ser incluído na lista dos espiados, Joaquín Almunia disse hoje em Madrid estar "surpreendido", exigindo que se "apurem responsabilidades até ao fim" para os autores destes "atos impróprios de uma democracia".

Almunia - que falava à chegada a uma conferência de socialistas europeus em Madrid -- onde participa, entre outros, António José Seguro -- disse que soube da sua inclusão na lista pela rádio.

"Não posso imaginar qual tenha sido o interesse desta gente", disse, criticando o que disse ser uma "invasão da intimidade e da privacidade".

"Há que exigir responsabilidades até ao fim e quem tenha cometido delitos deste tipo que os pague", disse.

O jornal explica que a rede pretendia fazer chantagens com as gravações, realizadas em alguns restaurantes normalmente frequentados por políticos e empresários conhecidos.

A direção da polícia na Catalunha considera ter indícios credíveis de que a agência de detetives Método 3 teria desenvolvido várias operações de espionagem de políticos no restaurante La Camarga, de Barcelona, e, pelo menos, num outro restaurante.

Neste sentido, a investigação pretende averiguar quem ordenou as gravações e se alguém teve que tenha tinha uma relação laboral com a Método 3 teve acesso ao que, segundo o jornal, são "horas e horas" de gravações ilegais, e se "estariam em condições de traficar com elas".

Hoje, o jornal refere que nas listas de políticos alvos de espionagem constam o ex-presidente do Governo regional catalão José Montilla, o ex-vice-presidente catalão Josep Lluís Carod-Rovira, o presidente da Comunidade de Madrid, Ignacio González (PP), e o ex-presidente da Junta de Castela La Mancha José María Barreda (PSOE).

De acordo com o mesmo jornal, a espionagem abrangeria também alguns empresários, existindo mais de 20 mil arquivos.

Na quinta-feira, o ministro espanhol do Interior, Jorge Fernández Díaz, assegurou nos corredores do Congresso dos Deputados que há muita informação sobre as supostas escutas ilegais na Catalunha e que o assunto vai ser investigado "muito a fundo".

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