Polícia turca controla praça Taksim

A polícia turca assumiu o controlo da praça Taksim da capital depois de esta manhá ter entrado à força no local com recurso a blindados e gás lacrimogéneo.

Pouco antes das 8:00 locais (06:00 em Lisboa), centenas de agentes da força de intervenção rápida que agora ocupam a emblemática praça -- da qual não se aproximavam há cerca de duas semanas -- enfrentaram um grupo reduzido de pessoas que atacou os agentes com cocktails de molotov.

A polícia respondeu ao ataque com gás lacrimogéneo e canhões de água, apelou aos manifestantes para não usarem nem pedras nem garrafas e assegurou que apenas pretendia retirar os cartazes e as barricadas entretanto instaladas no local.

"Nós vamos lutar, nós queremos a liberdade. Nós somos combatentes da liberdade", disse à AFP um dos manifestantes, Burak Arat, de 24 anos, que passou a noite no parque Gezi, o pequeno jardim público cuja destruição anunciada motivou o protesto que deu início à agitação social que afeta a Turquia há 12 dias.

A polícia ocupa agora a praça Taksim, mas não interveio no parque, onde centenas de militantes que a ocupam foram acordados pela intervenção das forças de segurança, segundo relatam jornalistas da AFP.

"A nossa intervenção visa retirar os cartazes e desenhos da praça. Não temos outro objetivo", assegurou o governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, na sua conta Twitter.

A polícia dirigiu-se aos ocupantes do parque através de megafones para lhes garantir que não entraria no parque.

O governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, justificou entretanto a intervenção da polícia afirmando que os manifestantes estavam a manchar a imagem da Turquia.

"O espetáculo (dos manifestantes) contraria a população (...) e mancha a imagem do país aos olhos do mundo", disse Mutlu em conferência de imprensa, atribuindo a responsabilidade dos confrontos aos "marginais".

No domingo, o mesmo Mutlu pedira perdão pelos excessos cometidos e dissera, numa inesperada mensagem no Twitter, que gostaria de estar com os manifestantes na praça Taksim.

As forças de segurança abandonaram a praça Taksim a 01 de junho, após 24 horas de confrontos violentos com centenas de manifestantes, convocados pelas redes sociais para denunciar a brutalidade com que a polícia tinha reprimido a manifestação no parque Gezi na véspera.

Centenas de manifestantes ocupavam então o parque há vários dias para denunciar a intenção de arrancar 600 árvores no âmbito de um projeto contestado de obras na praça Taksim.

Desde a retirada da polícia, a praça Taksim acolheu, todas as noites, dezenas de milhares de pessoas que exigem a demissão do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, um conservador islâmico que é acusado de deriva autoritária e de querer "islamizar" a sociedade turca.

A retomada do controlo da praça Taksim surge na véspera de um encontro, anunciado na segunda-feira pelo vice-primeiro-ministro Bulent Arinç, entre Erdogan e os representantes da contestação, que o primeiro-ministro tem apelidado de "saqueadores" ou "extremistas".

Apesar do gesto aparentemente conciliatório, o número dois de Erdogan avisou que "manifestações ilegais não serão mais autorizadas na Turquia".

Já no domingo, Erdogan endurecera o seu discurso, com críticas aos manifestantes perante uma concentração de milhares de apoiantes do seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP).

Seguro do apoio de uma maioria de turcos, Erdogan tem adotado um tom duro desde o início da crise, remetendo as contestações para as eleições municipais de 2014.

Erdogan está no poder há 10 anos e em 2011 o AKP recolheu 50% dos votos.

Desde o início dos protestos, dois manifestantes e um polícia morreram, havendo a registar mais de 5.000 feridos, algumas dezenas deles com gravidade.

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