Polícia reforça número de agentes na capital após semana de tumultos

A polícia sueca informou na sexta-feira ter pedido reforços para Estocolmo com vista a evitar mais violência e tumultos que desde domingo estão a abalar os subúrbios da capital.

"Vamos receber reforços à noite a partir de Gotemburgo e Malmo", anunciou um porta-voz da polícia, escusando-se a precisar o número esperado de agentes. Mais de uma dúzia de veículos foram destruídos pelo fogo na noite de quinta para sexta-feira e foram extintos incêndios em três escolas e numa esquadra de polícia situados nos bairros pobres da periferia de Estocolmo, maioritariamente habitados por população estrangeira.

Também na noite passada os bombeiros relataram, numa conta da rede social Twitter, terem feito 70 intervenções de combate a incêndios em viaturas, camiões e edifícios.

A polícia começou entretanto a identificar pessoas suspeitas de cometer crimes, tendo detido, na passada noite, três indivíduos com idades compreendidas entre os 17 e os 26 anos.

Os incidentes foram desencadeados pela morte, em Husby, um bairro desfavorecido da capital sueca, de um habitante de 69 anos e com problemas psíquicos.

O indivíduo foi abatido a tiro pela polícia no apartamento onde se tinha fechado com a companheira, mas os agentes disseram ter disparado em legítima defesa, por terem sido ameaçados com um machado.

O Governo português já identificou um emigrante português que terá sido morto pela polícia sueca em 12 de maio, mas os responsáveis locais apenas se vão pronunciar sobre o caso na segunda-feira.

"Temos a informação, mas não está confirmada pela polícia sueca, e portanto há sempre o risco de não ser a pessoa em causa", disse à Lusa José Cesário, numa reação à notícia publicada esta tarde pela página na internet do jornal Expresso sobre a morte pela polícia sueca, em 12 de maio, de um português radicado no país há mais de 30 anos.

Um jovem contou sexta-feira a uma rádio local ter participado nos motins e explicou ter agido em revolta contra o desemprego e o racismo que afeta os subúrbios da capital, tal como a cidade de Husby.

"Nós queimámos carros, atirámos pedras contra a polícia, contra as viaturas da polícia. Mas isso é uma coisa boa porque agora as pessoas sabem onde fica Husby (...) esta é a única maneira de ser ouvido", disse.

De acordo com a mesma rádio, as três maiores companhias de seguros suecas -- If, Folksam e Trygg-Hansa -- receberam já, cada uma, pedidos de indemnização relativos a cerca de 20 veículos queimados.

A vaga de violência provocou um debate na Suécia sobre a integração dos imigrantes, que representam cerca de 15% da população, estão concentrados nos bairros mais pobres das grandes cidades, e são alvo de uma maior taxa de desemprego do que o resto da população.

O Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada dos Estados Unidos em Estocolmo aconselhou já os seus cidadãos a evitar viagens para as áreas afetadas pelos distúrbios.

Incidentes semelhantes aos atuais ocorreram em 2010 em Rinkeby e em 2008 em Malmo, no sul, após o encerramento de um centro cultural islâmico.

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