Peça solta na via originou desastre ferroviário

Uma peça que se soltou durante a troca de agulhas da via esteve na origem do descarrilamento mortal de um comboio na tarde de sexta-feira nos arredores de Paris, revelaram hoje os investigadores, que afastaram a hipótese de erro humano do maquinista.

As conclusões foram hoje anunciadas pelos responsáveis da companhia ferroviária SNCF e pelo ministro francês dos Transportes, Frédéric Cuvillier, enquanto se mantém o balanço provisório de seis mortos e prossegue o levantamento dos vagões tombados, içados por gruas gigantes, uma operação que deverá ficar concluída no domingo.

Michel Fuzeau, representante do Governo no departamento onde se situa a estação de Bretigny-sur Orge, região de Essonne, onde ocorreu o acidente, indicou às 17:00 locais (16:00 em Lisboa) que permaneciam hospitalizadas 22 pessoas entre as dezenas que receberam assistência, e que duas se encontram em estado crítico.

Entre os mortos já identificados, com idades entre os 19 e os 82 anos, Fuzeau precisou que quatro deveriam encontrar-se na plataforma da estação, e não no interior do comboio.

O diretor de infraestruturas da empresa ferroviária SNCF, Pierre Isar, disse em conferência de imprensa que uma peça no local da troca de agulhas se soltou "impedindo a transição normal das rodas [do comboio] e originando o descarrilamento".

Apesar de o presidente da região de Paris, Jean-Paul Huchon, ter sugerido que não pode ser excluída a hipótese de sabotagem, pelo facto de meia hora antes se ter registado uma troca das mesmas agulhas sem qualquer problema, o presidente da SNCF, Guillaume Pepy, já emitiu um apelo para evitar "todo o género de conjunturas".

"Não excluímos nenhuma hipótese", assegurou Pepy, que se referiu a três investigações que decorrem em paralelo, da justiça, do ministério dos Transportes e da própria empresa.

Cuvillier assegurou ainda que a origem desta "catástrofe" ferroviária "não é um erro humano" do maquinista do comboio Paris-Limoges, que "teve uns reflexos absolutamente extraordinários ao ativar imediatamente o alerta", evitando "por segundos" o choque com outra composição que devia passar em sentido contrário por uma via onde diversos vagões ficaram tombados.

Recordou ainda que o comboio, onde viajavam cerca de 370 pessoas, circulava a 137 quilómetros por hora, abaixo do limite de 150 quilómetros fixado para este local.

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