Novos confrontos opõem polícias a manifestantes

Novos confrontos opuseram manifestantes a polícias, na capital ucraniana, durante a noite de terça para quarta-feira, apesar da ameaça do primeiro-ministro de usar a força contra "os provocadores".

Em declarações prestadas na terça-feira na televisão russa Vesti, Mykola Azarov ameaçou: "Se os provocadores não pararem, as autoridades não terão outra escolha senão utilizar a força, no quadro da lei, para garantir a segurança das pessoas".

Azarov referia-se assim à controversa legislação que entrou em vigor às zero horas de terça-feira e que endurece as sanções contra os manifestantes pró-europeus que desafiam o poder nas ruas de Kiev.

Ignorando estas ameaças, os manifestantes lançaram, durante a noite, cocktails Molotov e pedras contra os cordões da polícia, que ripostou com gás lacrimogénio, constatou um jornalista da AFP.

A situação, apesar de tensa, estava muito mais calma do que durante as duas noites precedentes, apesar de continuarem milhares de manifestantes na Avenida Grushevsky, que conduz ao parlamento.

O jornal do parlamento, "Golos Ukrainy", publicou as novas leis que endurecem, com penas que podem ir até cinco anos de prisão, as sanções potenciais aos manifestantes, que ali instalaram há dois meses um acampamento e barricadas no centro da capital, e aos que ocuparem edifícios oficiais.

A adoção destas leis na semana passada incentivou a mobilização dos contestatários. No domingo, cerca de 200 mil pessoas reuniram-se na Praça da Independência para as denunciar. Esta concentração foi pontuada por confrontos entre polícias e manifestantes, lançamento de cocktails Molotov e disparos de balas de borracha.

Uma organização não-governamental de defesa de jornalistas indicou que 35 destes profissionais tinham sido feridos. Um correspondente da agência noticiosa AFP no local especificou que vários jornalistas foram gravemente feridos nos olhos pelos projéteis disparados pelas forças da ordem, que apontavam à cabeça.

O Ministério do Interior quantificou em cerca de 200 os feridos desde domingo, entre os quais 80 polícias hospitalizados.

Fontes hospitalares deram conta de que foi amputada pelo menos uma mão e que várias outras pessoas tinham perdido a vista na sequência dos confrontos.

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