Neonazis terão sido responsáveis por atentado a portugueses

Os terroristas neonazis presumivelmente responsáveis por 10 homicídios na Alemanha podem ter sido também autores de um atentado à bomba gorado, em 1997, em Stadtroda, na Turíngia, contra operários portugueses, noticiou hoje a emissora pública MDR.

O atentado ocorreu a 18 de novembro de 1997, num prédio em Stadtroda onde viviam na altura operários portugueses, onde foi colocado um engenho explosivo junto da caldeira do aquecimento a gás. Só uma avaria no detonador impediu que houvesse uma explosão, segundo o estúdio da Turíngia da MDR. Um porta voz da polícia de Jena confirmou entretanto o incidente, em declarações ao mesmo órgão de comunicação social.

Os elementos utilizados para construir o engenho explosivo eram semelhantes aos que a polícia encontrou dois meses depois na garagem em Jena utilizada pelo trio de terroristas neonazis para fabricar explosivos, referiu também a rádio alemã. Uwe Mundlos, uwe Bohnhardt e Beate Zschaepe lograram, no entanto, iludir as forças de segurança e entrar na clandestinidade. Só no passado dia 4 de novembro a polícia voltou a encontrar os dois neonazis, que se suicidaram dentro de uma caravana, depois de terem cometido mais um assalto a um banco, em Eisenach.

Poucas horas depois, Beate Zschaepe, que não participou no assalto, fez explodir o apartamento em Zwickau, na Saxónia, onde os três viviam sob falsa identidade, e dois dias depois entregou-se à polícia, mas tem-se recusado a depor nos interrogatórios. A polícia encontrou, no entanto, na caravana e no apartamento, as pistolas com que foram abatidos a tiro oito imigrantes turcos e um imigrante grego, em vários pontos da Alemanha, entre 2000 e 2006. Foi também encontrada a arma de uma agenda da polícia abatida a tiro em 2007, em Heilbronn, num assalto em que outro agente da polícia ficou gravemente ferido.

Entre 1996 e 1998, foram encontrados em Jena, cidade onde o trio nazi operava, vários engenhos explosivos e simulacros de bombas numa auto-estrada das proximidades, no cemitério ou diante do teatro de Jena, por exemplo. A própria polícia, a autarquia e a redação de um jornal de Jena receberam no mesmo período simulacros de bomba com desenhos de cruzes suásticas, o símbolo do nazismo. Em finais de 1997, Uwe Bohnhardt foi condenado a vários anos de prisão por instigação ao ódio racial, no tribunal regional de Gera, mas não chegou a cumprir pena, mantendo-se em liberdade.

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