"Não gostaria que espanholas fossem abortar a Portugal"

O presidente o governo autónomo da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, afirmou hoje que espera ver melhorada a proposta de nova lei do aborto em Espanha, por forma a que seja feita uma reforma adequada ao contexto europeu em que o país se insere.

"Temos que ter consciência de que vivemos ao lado de Portugal e eu não gostaria que houvesse pessoas em Espanha a atravessar a fronteira para realizar actos que não são permitidos no meu país", declarou, em entrevista à RNE, lembrando que no passado mulheres espanholas já vieram abortar a Portugal e que o mesmo pode voltar a acontecer caso seja aprovada a reforma da lei do aborto apresentada pelo ministro da Justiça espanhol Alberto Ruíz-Gallardón.

Apelidada de "retrógrada" pelo 'New York Times' e criticada pela porta-voz do Governo francês Najat Vallaud-Belkacem, a reforma da lei espanhola prevê que as mulheres apenas possam recorrer ao aborto caso a gravidez seja fruto de violação (até às 12 semanas de gestação) ou represente perigo para a vida da mulher (até às 22 semanas), tendo sido alargado o período de reflexão e a objeção de consciência dos médicos.

Esta nova proposta de lei de Gallardón irá alterar a lei em vigor, aprovada em 2010, durante o Governo socialista de José Luis Rodríguez de Zapatero, na qual está prevista a possibilidade de a mulher recorrer à IVG por escolha própria.

Em Portugal, a interrupção voluntária da gravidez foi aprovada por referendo, em 2007, sendo permitida até a décima semana de gravidez, se essa for a vontade da mulher, independentemente dos seus motivos. A alteração legislativa em Portugal deu-se durante o Governo socialista de José Sócrates.

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