"Não é suficiente termos uma moeda comum"

O primeiro-ministro de Itália, Matteo Renzi, afirmou hoje que a União Europeia (UE) está "numa encruzilhada" e que a moeda comum não é suficiente para combater o euroceticismo e o desemprego.

"Estamos numa encruzilhada. Não é suficiente termos uma moeda comum, um presidente ou uma fonte de financiamento comum. Ou temos um destino e valores comuns, ou perdemos a ideia de Europa", disse o primeiro-ministro ao apresentar no parlamento as prioridades da presidência italiana que se inicia a 01 de julho.

"Se a Europa não mudar de rumo não haverá crescimento. E não é possível haver estabilidade se não houver crescimento", disse, acrescentando que a presidência italiana "tem de ser o momento de reforma".

Renzi, que assumiu a chefia do governo em fevereiro com críticas ao antecessor Enrico Letta por não promover o crescimento económico, afirmou que o euro "foi encarregado de construir a Europa, mas a moeda única não chega".

Matteo Renzi tem defendido uma flexibilização das políticas de austeridade dos últimos anos na UE e, hoje, reiterou que Itália não procura uma alteração das regras, mas "diferentes abordagens das regras".

A UE, defendeu, tem de responder à pergunta "o que é a Europa hoje?", argumentando que "a Europa hoje é tédio, submersa em números e sem alma".

Além da política económica, a imigração foi tema dominante no discurso do primeiro-ministro italiano, que criticou uma Europa que "explica ao pescador italiano como deve pescar, mas vira as costas quando há cadáveres no mar".

Renzi adiantou que vai propor na cimeira europeia de quinta e sexta-feira que a atual operação de salvamento de imigrantes junto à Sicília, a cargo da Itália, passe a ser gerida pela Agência Europeia de Fronteiras Externas (Frontex).

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