Morreu francês de extrema-esquerda espancado por neonazis

O jovem militante de extrema-esquerda francês que se encontrava em estado crítico depois de ter sido espancado, na quarta-feira à noite em Paris, por um grupo de militantes da extrema-direita neonazi, morreu hoje, indicou uma fonte policial.

Quatro pessoas, três homens e uma mulher, foram detidas, entre os quais o presumível autor do golpe que causou a morte cerebral do jovem, indicou a mesma fonte, citada pela agência de notícias francesa AFP.

Nas primeiras declarações prestadas, o suspeito disse que não teve intenção de matar o jovem.

Clément Méric, de 18 anos, estudante na prestigiada universidade de Sciences Po, encontrava-se internado no hospital Pitié-Salpêtrière em estado de morte cerebral.

O ministério público, encarregado do caso, indicou à agência noticiosa espanhola EFE que a investigação ainda não está concluída, e que os quatro suspeitos estão detidos em esquadras policiais.

A polícia dispõe de muitas testemunhas, porque o ataque ocorreu em pleno dia, numa rua central da capital francesa, próxima dos grandes 'boulevards' e da estação de Saint Lazare.

A vítima, conhecida pela sua militância de esquerda, estava com três amigos numa loja quando entrou no local um grupo de 'skinheads'.

Uma altercação verbal entre um e outro grupo fez com que fossem expulsos da loja e a disputa continuasse na rua, onde, segundo algumas testemunhas citadas pela imprensa, Méric recebeu um violento soco e, ao cair, bateu com a cabeça numa corrente, perdendo a consciência.

Os agressores fugiram e a polícia está agora a analisar as imagens de videovigilância e a ouvir as declarações das testemunhas da agressão que, até agora, não foi denunciada pelos amigos da vítima.

O ato foi hoje condenado por toda a classe política, a começar pelo Presidente francês, François Hollande, que, a partir de Tóquio, onde se encontra em viagem oficial, disse ter dado "as mais firmes instruções para que os autores desse ato odioso sejam detidos o mais rapidamente possível".

A presidente do partido da extrema-direita francesa Frente Nacional, Marine Le Pen, declarou que o mesmo "não tem nada que ver", com os responsáveis pelo ataque "inadmissível e insuportável", e o ministro do Interior, Manuel Valls, fez também um apelo à prudência nas declarações, argumentando que "há um clima que favorece este ambiente de ódio".

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