Mladic denuncia um tribunal "satânico"

Ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia Ratko Mladic qualificou o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-.Jugoslávia de satânico" e recusou testemunhar no processo do seu alter ego político, Radovan Karadzic.

"É um tribunal satânico", afirmou Mladic durante uma audiência em Haia, acrescentando: "Não reconheço este tribunal do ódio". Mladic, de 71 anos, acabou por prestar juramento, de má vontade e sob a ameaça de ser perseguido por desrespeito ao tribunal.

O ex-líder militar dos sérvios da Bósnia conseguiu ainda uma interrupção da sessão - e umas boas gargalhadas da assitência - quando inquiriu: "A segurança pode trazer-me os meus dentes, que estão na minha célula, para eu poder falar melhor?"

Acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, Radovan Karadzic esperava que Mladic, que responde em Haia pelos mesmos crimes, testemunhasse a seu favor. Mas este garantiu aos juízes: "Não quero testemunhar e recuso fazê-lo por motivos de saúde e também porque isso me prejudicaria no meu próprio julgamento".

Karadzic e Mladic, de 68 e 71 anos, são acusados de terem planeado a limpeza étnica na Bósnia durante a guerra que fez cem mil mortos e 2,2 milhões de deslocados entre 1992 e 1995.

Os dois homens são acusados do massacre de Srebrenica, durante o qual as forças da Bósnia mataram oito mil homens e rapazes muçulmanos.

Karadzic e Mladic podiam ter sido julgados em conjunto caso as suas detenções tivessem ocorrido perto uma da outra. Mas o primeiro foi detido em julho de 2008 e o segundo em maio de 2011.

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