Ministro das Finanças demite-se se Medvedev for PM

O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Rússia Alexei Kudrin anunciou hoje que não participará num governo dirigido por Dmitri Medvedev devido a divergências sobre questões económicas.

Na véspera, o Congresso do Partido Rússia Unida decidiu avançar a candidatura de Vladimir Putin para o cargo de Presidente da Rússia nas eleições de Março de 2012 e, em caso de vitória, Dmitri Medvedev será nomeado primeiro-ministro.

"Eu não me vejo no novo Governo. Não só porque ainda não me foi feita essa proposta, mas penso que as divergências que tenho não me permitirão participar nele", declarou Kudrin aos jornalistas.

Estas declarações foram feitas em Washington, onde Kudrin participa numa reunião de ministros das Finanças dos G-20.

"Tenho uma série de divergências com Medvedev sobre política económica, principalmente no que respeita a despesas militares substanciais", precisou.

Kudrin manifesta-se contra o aumento de 3 por cento do PIB para despesas militares até 2014.

"Três por cento do PIB são cerca de 2,1 biliões de rublos (52 mil milhões de euros) em 2014. Isso é, em 2011, o financiamento de todo o sistema de ensino, incluindo todas as universidades, escolas médias e especiais. Ou seja, em três anos, iremos acrescentar às despesas militares uma quantia igual à que concedemos para financiar a educação", explicou.

"Isso cria mais riscos tanto para o orçamento, como para a macroeconomia", frisou.

Segundo ele, "isso não nos permite baixar o deficit enquanto se mantêm preços altos do petróleo. E essa dependência vai conservar-se, o que é arriscado para a economia. Nós discutimos essas questões, mas, não obstante, foram tomadas essas decisões".

Alexei Kudrin discorda também da política de Medvedev em relação ao Fundo de Pensões, considerando que ele não é sustentável se se mantiver a actual política e defende o aumento da idade de reforma.

O ministro espera, porém, que Vladimir Putin, caso seja eleito Presidente, irá realizar as reformas mais ativamente.

"Putin sente muito seriamente os problemas e reage a eles. Nesse sentido, espero que ele sinta a necessidade do aumento do crescimento económico, nomeadamente da realização de reformas estruturais", considerou.

O politólogo Dmitri Orechkin considera que se trata de mais um episódio da luta nas mais altas esferas do poder russo.

"Porque é que Medvedev se apressou a apresentar a candidatura de Putin? Porque é que Kudrin se apressou a dizer que não quer participar num governo dirigido por Medvedev? Isso está ligado ao fim do "consenso de Putin" nas altas esferas do poder. Nelas têm lugar combates pela influência no país", declarou o investigador à rádio Eco de Moscovo.

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