Mercearia de português vandalizada nos motins de Londres

As montras da mercearia de Vítor Nunes em Tulse Hill, no sul de Londres, continuam hoje partidas e o interior mais vazio do que o normal, depois de a loja ter sido vandalizada e pilhada na noite de domingo.

O português foi um das dezenas de pequenos comerciantes afectados pelos motins que duram há três dias na capital britânica sem que a polícia tenha conseguido controlar a violência.

"Levaram-me muita coisa. Não tenho ideia mas passou de mil libras [1140 euros] o que eles roubaram de vinhos e cervejas", lamentou hoje, em declarações à agência Lusa.

O português, proprietário há seis anos do pequeno negócio a norte de Brixton, chegou ao local às três da manhã. Viu alguns dos autores dos distúrbios, jovens com "entre 16 e vinte e poucos" anos, "às cacetadas às chapas" [portões protectores] de outras lojas da rua.

"Mas nós não pudemos fazer nada porque eles mandaram calar toda a gente. Estávamos lá meia dúzia e eles eram uns vinte ou trinta", justificou.

No interior, a cena que encontrou era de "vandalismo" pois, além das vitrinas, partiram uma arca frigorífica e deixaram as prateleiras dos queijos e chouriços quase vazias. "Eu preferia que me tivessem levado coisas do que me partirem os vidros", confiou à Lusa. "Os gajos não tiveram dó de ninguém", lamentou.

Mais sorte teve José Cruz, proprietário da Atlântico, uma empresa de distribuição de produtos portugueses com armazém em Croydon, onde se registaram distúrbios na noite de segunda-feira.

Depois de saber da experiência de Vítor Nunes resolveu ficar nas instalações da empresa, localizadas num parque industrial daquele subúrbio londrino, até de madrugada.

"Nunca vi tal coisa e nunca imaginei ver neste país o que vi ontem [segunda feira]", confessou à Lusa.

Em redor, lojas de artigos electrónicos foram saqueadas sem oposição da polícia e os portões da Atlântico chegaram a ser rondados.

"Vimos esses miúdos que [estavam] a roubar coisas, conseguíamos vê-los com os computadores a passar aqui e outros a tentar roubar a eles próprios também", relatou.

Cruz reconhece ter tido "sorte", que atribui também ao facto de no espaço estarem estacionadas algumas carrinhas de uma comunidade nómada.

Mas ainda hoje não está em si, depois de quase vinte anos a viver no Reino Unido. "Nunca poderia imaginar que pudesse acontecer num país como este", repetiu.

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