Medvedev promete investigar suspeita de fraude

O Presidente russo, Dmitri Medvedev, rejeitou hoje as reivindicações da oposição exigindo novas eleições legislativas mas prometeu investigar suspeitas de fraude após manifestações sem precedentes no país contestando a vitória do partido no poder.

O movimento de dimensões jamais vistas desde a chegada ao Kremlin, em 2000, de Vladimir Putin, que se tornou primeiro-ministro em 2008, reuniu no sábado em Moscovo entre 50 mil e 80 mil pessoas, segundo estimativas independentes (25 mil, segundo a polícia) e milhares de manifestantes em 50 cidades do país. Estas manifestações foram organizadas para denunciar as fraudes que, segundo a oposição, permitiram ao partido Rússia Unida -- dirigido por Vladimir Putin e de que Medvedev era cabeça de lista -- a vitória nas legislativas de 04 de dezembro.

Durante as manifestações, a oposição exigiu a realização de novas eleições e distribuiu cartazes em que se lia "Escroques e ladrões, devolvam-nos as eleições", numa alusão à expressão "Rússia Unida -- o partido dos ladrões e dos escroques", popularizada pelo 'blogger' Alexei Navalny, para condenar a corrupção. "Não estou de acordo nem com os slogans, nem com as declarações dos manifestantes", escreveu Medvedev na sua página do Facebook. "No entanto, dei ordens para que sejam verificadas todas as informações que provêm das assembleias de voto e dizem respeito à legislação eleitoral", reiterou Medvedev, um dia após a mobilização social maciça.

Numa deslocação a Praga na passada quinta-feira, o Presidente russo tinha já declarado: "É preciso analisar todas as suspeitas de irregularidades. Para isso, temos a comissão eleitoral e os tribunais". Um dos líderes da oposição, o antigo ministro Boris Nemtsov, rapidamente classificou como um "disparate" as declarações de Medvedev sobre as verificações. As autoridades desde logo se recusaram a analisar a questão da demissão do Presidente da Comissão Eleitoral, uma das reivindicações da oposição, que acusa este último de ter orquestrado as fraudes. Por sua vez, Dmitri Perskov, porta-voz de Vladimir Putin, classificou as manifestações como um "protesto democrático de uma parte da população que está descontente com os resultados oficiais", segundo um comunicado citado pela agência France-Presse.

"Respeitamos o ponto de vista dos manifestantes, entendemos o que eles estão a dizer e vamos continuar a ouvi-los", lê-se no documento. Na manifestação de sábado em Moscovo, a mobilização foi excecional, tendo em conta que as anteriores concentrações de apoiantes da oposição - na maioria não autorizadas - costumavam reunir apenas algumas centenas de pessoas. Apesar de terem observado um quase "black-out" desde o início da contestação, as estações de televisão controladas pelo Estado russo abriram os noticiários com o assunto no sábado à noite. Segundo uma fonte do Kremlin citada pelo principal site noticioso russo on-line, www.gazeta.ru, esta decisão terá sido tomada por Medvedev, que terá igualmente dado instruções à polícia de Moscovo para se comportar com moderação.

A manifestação na capital decorreu sem quaisquer distúrbios, ao passo que dezenas de pessoas foram detidas noutras cidades do país. "Vamos continuar o nosso movimento de contestação", acrescentou Nemtsov, anunciando novas manifestações para 17 e 18 de dezembro, e uma grande manifestação para dia 24, se as exigências da oposição não forem satisfeitas até lá. Esta mobilização surge a menos de três meses das eleições presidenciais, marcadas para 04 de março do próximo ano, às quais Vladimir Putin anunciou que irá candidatar-se, podendo esse regresso ao Kremlin prolongar-se teoricamente até 2024, depois de já por lá ter passado durante oito anos (2000-2008).

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