Maquinista não compreende porque não travou a tempo

O maquinista do comboio que descarrilou em Santiago de Compostela disse não compreender por que não travou a tempo de impedir o acidente, segundo a transcrição do interrogatório judicial, publicada hoje pelo El Pais.

Francisco José Garzón Amo, 52 anos, disse também não saber no que pensava na altura do acidente, que fez 79 mortos e mais de 150 feridos, "um peso tremendo" que vai "carregar toda a vida".

"Sinceramente, digo-lhe que não sei, não sou suficientemente louco para não travar", respondeu ao procurador Antonio Roma, durante o interrogatório realizado no domingo perante o juiz Luis Alaez.

À pergunta "Ativou o travão em algum momento?", Garzón respondeu que sim, "quando já era inevitável". "Na curva vi que não passava, que não a passava e antes de o comboio se virar, ativei tudo e vi que não, que não passava", disse.

"Não tive tempo para nada", responde quando se lhe pergunta porque não reduziu a velocidade do comboio mais cedo.

Segundo as primeiras informações do inquérito, divulgadas na terça-feira, o comboio circulava a 192 quilómetros/hora antes do acidente, tendo travado momentos antes do acidente, descarrilando a 153 quilómetros/hora numa curva onde o limite de velocidade estava estabelecido em 80 quilómetros/hora.

O registo áudio das "caixas negras" revelou que, no momento do acidente, o maquinista falava ao telefone com alguém da companhia ferroviária espanhola, Renfe, que lhe ligou "para lhe indicar o caminho que o comboio devia seguir ao chegar a Ferrol", destino final e estação a seguir a Santiago de Compostela.

O magistrado observa que, quatro quilómetros antes do impacto, o comboio circulava a uma velocidade muito superior à indicada, ao que Garzón responde que "quatro quilómetros a 200 quilómetros/hora passam muito depressa" e acrescenta que ao entrar nos túneis não se apercebeu de que estava naquele troço e não reduziu a velocidade.

Afirma que não bebeu antes de entrar no comboio, "apenas café", que nos últimos exames médicos a única coisa que lhe apontaram foi estar "demasiado magro" e que quando leva o iPad para o comboio usa-o exclusivamente para a função, nunca para consultar a sua página no Facebook ou a conta de correio eletrónico.

Depois do descarrilamento, telefonou para a Renfe, como previsto nas regras da empresa: "Disse que havia muitíssimos mortos porque era inevitável. À velocidade a que ia, embora não pudesse ver para trás, eu sei o que levo nas mãos e sei que ia ser uma desgraça".

O maquinista, com vários anos de experiência, foi acusado de 79 crimes de homicídio por negligência.

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