Líder sérvio pede perdão por massacre de croatas

O sucedido em 1991 nesta cidade da Croácia permanece como um dos episódios mais violentos do conflito na ex-Jugoslávia

O Presidente Boris Tadic tornou-se ontem o primeiro dirigente sérvio a pedir perdão pelo massacre na cidade croata de Vukovar, a 18 e 19 de Novembro de 1991, quando foram mortas 264 pessoas num dos momentos de maior violência na guerra de 1991-1995, que levou ao fim da federação jugoslava.

Num gesto de evidente simbolismo, Tadic chegou a Vukovar de manhã no ferry boat da carreira recentemente inaugurada entre esta cidade e Bac, localidade sérvia do outro lado do Danúbio. Recebido pelo seu homólogo croata, Ivo Josipovic, e pelo presidente da câmara local, Tadic declarou estar na cidade "para homenagear as vítimas e pedir desculpa".

Estavam também algumas centenas de habitantes que aplaudiram Tadic. Este encontrou-se com alguns familiares das vítimas do massacre que é o segundo mais grave do conflito na ex-Jugoslávia. Em Julho de 1995, forças sérvias mataram oito mil homens e adolescentes bosníacos em Srebrenica, facto que permanece como o mais brutal da guerra.

Já este ano, o Presidente sérvio deslocara-se a Srebrenica para idêntico gesto de pedido de desculpas. Também o Presidente Josipovic tem visitado algumas das localidades ligadas ao momentos de maior violência na guerra que opôs os três grupos étnico-religiosos presentes no espaço da ex-Jugoslávia; sérvios, croatas e bosníacos muçulmanos.

Ontem, quer Tadic quer o seu homólogo croata sublinharam que "é possível uma política diferente, de paz e amizade" entre os dois Estados, disse Josipovic. Por seu lado, o dirigente sérvio definiu o seu gesto como contributo "para a possibilidade de um perdão e de uma reconciliação" entre os respectivos povos.

Os dois Presidentes recusaram, por outro lado, a ideia de terem sido pressionados pela União Europeia, entidade a que ambos os países querem aderir, encontrando-se o processo da Croácia mais adiantado.

Para Tadic, o fundamental do encontro de ontem foi o de mostrar que os Governos de Belgrado e Zagreb "integram o sistema de valores europeus".

Nos últimos anos, as relações servo-croatas têm conhecido uma crescente melhoria, permanecendo contudo marcas nas populações e na memória colectiva da violência comum a todos os beligerantes no conflito.

Entre 1991 e 1995 morreram mais de 20 mil pessoas na ex-Jugoslávia.

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