Líder de extrema-direita morto a tiro pela polícia

A polícia de elite ucraniana abateu um líder nacionalista de extrema-direita na cidade de Rivne (oeste), durante um tiroteio registado durante uma operação destinada à sua detenção, informou hoje o Governo.

Oleksandr Muzytchko, conhecido pelo pseudónimo de "Sashko Bilyi", líder do Pravy Sektor (Setor Direita) no ocidente da Ucrânia, abriu fogo em primeiro lugar, disse o vice-ministro do Interior, Volodymyr Evdokimov.

A troca de tiros ocorreu num café, na noite de segunda-feira, quando as forças especiais "Sokol" se prepararam para prender Muzytchko, procurado sob a acusação de crime organizado, precisou Evdokimov.

O Pravy Sektor, definido como uma organização neonazi pela Rússia, desempenhou uma função decisiva na linha da frente dos protestos diários que afastaram do poder em fevereiro o Presidente pró-russo Viktor Ianukovitch.

Na sequência da rebelião, forças russas e as milícias favoráveis ao Kremlim assumiram o controlo da península da Crimeia, com maioria de população russa, após Moscovo anunciar o direito de proteger os seus compatriotas das formações extremistas.

Durante a conferência de imprensa de hoje, Evdokimov admitiu que a bala que matou Muzytchko poderia ser proveniente da sua própria arma.

As forças de segurança atingiram-no por das vezes na perna e terá sofrido outros ferimentos de bala quando resistia no chão à detenção, adiantou o vice-ministro do Interior.

"Quem sabe se terá cometido suicídio ou se os seus adversários dispararam sobre ele", declarou.

Três dos cúmplices de Muzytchko, que também estariam armados, foram presos na mesma operação e enviados para Kiev, no âmbito das investigações.

No sábado, o Pravy Sektor formou um partido político e Dmytro Yarosh foi eleito o seu líder, sendo apresentado como candidato às presidenciais ucranianas de 25 de maio.

Ao reagir à morte de Muzytchko, o novo líder da formação ultranacionalista exigiu a demissão do ministro do Interior, Arsen Avakov, e a prisão do comandante das forças "Sokol", que protagonizaram a operação.

Em conferência de imprensa, Yarosh denunciou ainda as ações "contrarrevolucionárias" contra o movimento pró-europeu que derrubou Ianukovitch e contra o "Pravy Sektor, a vanguarda da revolução".

Acusou ainda os serviços de segurança russos FSB de estarem por detrás destas operações.

Por sua vez, Avakov afirmou que a Ucrânia estava preparada para enfrentar "bandidos".

Ao ser questionado sobre se fazia referência ao Pravy Sektor, afirmou que "os verdadeiros patriotas defendem as fronteiras do Estado de armas nas mãos".

De acordo com agências noticiosas russas, as autoridades da Rússia emitiram um mandado de captura contra Muzytchko, por suspeitas de ter combatido com os islamitas na guerra da Chechénia e onde terá sido responsável pela morte de 20 soldados russos.

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