Irmandade Muçulmana apela à comunidade internacional

O braço político da Irmandade Muçulmana, o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), pediu hoje à comunidade internacional para assumir "a sua responsabilidade" e impedir "eventuais massacres de civis desarmados que se manifestavam pacificamente".

Em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, o porta-voz do PLJ, Ahmed Subaya, afirmou que o Governo interino egípcio "tem o desejo de continuar com o assassinato de manifestantes pacíficos e apoiantes de [Presidente deposto egípcio Mohamed] Morsi".

O representante reagia à decisão hoje divulgada pelas novas autoridades egípcias de que serão adotadas "todas as medidas necessárias" para acabar com os acampamentos de protesto promovidos no Cairo pelos apoiantes de Morsi.

Para Ahmed Subaya, esta medida confirma que o Egito está sob "um estado policial que não respeita a liberdade de expressão".

Outro representante islamita, o porta-voz da Coligação Nacional para a Defesa da Legitimidade (que integra a Irmandade Muçulmana), Ahmed Nashar, também afirmou à EFE que os ativistas irão "resistir de forma pacífica" nas praças da capital egípcia.

Milhares de apoiantes de Morsi (oriundo do movimento Irmandade Muçulmana) estão acampados há cerca de um mês nas praças Rabaa al-Adawiya [nordeste do Cairo] e Al-Nahda [perto da Universidade do Cairo] para exigir o regresso ao poder do Presidente deposto.

Segundo Ahmed Nashar, a decisão hoje adotada pelo executivo egípcio é "própria de um Estado repressivo e de um regime militar, policial e ditatorial".

As novas autoridades egípcias divulgaram hoje que pretendem acabar com os acampamentos de protesto promovidos pelos islamitas, alegando que estas ações representam "um perigo para a segurança nacional e para a paz social".

Para tal, o Governo interino egípcio encarregou o Ministério do Interior, responsável pela tutela das forças policiais, a tomar as medidas necessárias para desmantelar os acampamentos.

Desde que foi destituído a 03 de julho, os apoiantes de Morsi organizam regularmente manifestações, manchadas pela violência, e concentrações.

Na terça-feira, os apoiantes de Morsi apelaram para a realização de uma manifestação "de um milhão" de pessoas para exigir a reinstauração do primeiro presidente eleito democraticamente no país.

A crise política no Egito agravou-se recentemente com a morte de 72 civis e um polícia em confrontos entre apoiantes de Morsi e as forças de segurança, no sábado, no Cairo.

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