Instabilidade política regressa à Ásia Central

Ainda há duas semanas atrás, a situação no Quirguistão parecia ser calma e completamente controlada pelo Presidente Kurmambek Bakiev, que proclamou a "democracia consultiva" nesse país da Ásia Central.

Numa reunião para celebrar a vitória da "revolução das túlipas" de 2005, realizada em finais de Março, Bakiev "enterrou" a democracia representativa, considerando que "as eleições há muito que deixaram de ser um processo de competição de programas reais de transformações no sistema de governo e transformaram-se num confronto de máquinas tecnológicas".

Por isso, o dirigente quirguize decidiu proclamar a "democracia consultiva", definindo-a como "a inclusão de diferentes grupos sociais nos processos de elaboração e realização da política do Estado".

A oposição tentou aproveitar essa oportunidade para transmitir as suas exigências: redução dos preços da electricidade, renúncia às reformas constitucionais que visam reforçar os poderes presidenciais e afastamento de familiares do Presidente Bakiev de altos cargos públicos.

Recentemente, o Presidente Bakiev nomeou o seu filho dirigente da Agência Central para o Desenvolvimento, Investimentos e Inovações do Quirguistão, que controla importantes fluxos financeiros.

O poder respondeu com a detenção de praticamente todos os dirigentes da oposição, o que fez com que estes não pudessem controlar os manifestantes na capital e em várias cidades do país.

Os confrontos, que já provocaram cerca de 10 mortos e dezenas de feridos, bem como sérios prejuízos materiais, tendem a agravar-se.

Entretanto, Rússia e Estados Unidos lançaram um apelo ao diálogo, pois a deterioração da situação no Quirguistão pode reflectir-se em toda a Ásia Central. Moscovo e Washington possuem nos arredores da capital quirguize bases militares, sendo a base norte-americana fundamental para o apoio logístico às forças da NATO que combatem no Afeganistão.

Estão a ser feitas tentativas de estabelecimento de diálogo entre Bakiev e a oposição, sendo para isso necessário libertar os dirigentes opositores, mas, por enquanto, sem êxito.

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