Impasse em Itália mergulha Europa na angústia

A Itália está mergulhada num impasse político, sem vencedor claro nas eleições nacionais de domingo e segunda-feira, o que fez soar os alarmes de um possível regresso da crise, desta vez na terceira economia da zona euro.

Os mercados financeiros reagiram de forma muito negativa ao anúncio de uma vitória arrancada a ferros do centro esquerda na Câmara dos Deputados (29,54% contra 29,18% para a direita de Silvio Berlusconi) e a sua incapacidade para obter uma maioria no Senado.

Os politólogos italianos procuram analisar hoje o "boom de Grillo, o ex-cómico cujo Movimento Cinco Estrelas conseguiu um quarto dos votos nas duas câmaras do Parlamento italiano e se encontra na posição de "árbitro" na política italiana.

Um dia depois do seu resultado-surpresa nas eleições, Beppe Grillo veio já dizer que a sua formação não pretende aliar-se a nenhum outro partido, mas decidirá caso a caso se vota ou não a favor das reformas propostas pelo próximo governo.

Stefano Folli, do jornalo Sole 24 Ore, explicou à AFP que este voto de protesto se prende com a "desconfiança perante a moeda única e os sacrifícios impostos pela União Europeia" em menos de 15 meses de governo tecnocrata liderado pelo ex-comissário europeu, Mário Monti.

A Comissão Europeia garantiu, por seu lado, ter ouvido a mensagem de "preocupação" enviada pelos cidadãos italianos, mas pediu a Roma para "respeitar os seus compromissos" em termos orçamentais e de reformas.

A perspetiva de ingoverrnabilidade na terceira economia da zona euro provocou o caos nos mercados: a Bolsa de Milão perdia 4% ao início da tarde.

A Itália preocupa porque está em forte recessão (- 2,2% para o PIB de 2012) e enfrenta uma dívida colossal de dois biliões de dólares.

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