Grillo reúne deputados em local secreto

Beppe Grillo, líder da terceira força política mais votada nas eleições de fevereiro em Itália, convocou hoje todos os deputados do Movimento 5 Estrelas (M5E) para um local secreto para discutir o impasse político que o país atravessa.

Divergências dentro do Movimento estão aparentemente na origem desta reunião, depois de alguns deputados se terem declarado dispostos a votar favoravelmente um Governo de centro-esquerda liderado por Pier Luigi Bersani, apesar de Grillo ter afirmado reiteradamente que não vai apoiar nenhum partido político.

O Movimento 5 Estrelas, com os seus 53 senadores (e 109 deputados), é determinante em qualquer votação no Senado, onde nenhum partido tem maioria absoluta.

Como em anteriores iniciativas do M5E, a reunião de hoje foi organizada quase em segredo e Grillo convocou os deputados para uma praça de Roma, a Plaza Flaminio, de onde seguiram, em autocarros, para um local que não lhes foi revelado.

O humorista e os membros do seu movimento são conhecidos pela sua relutância em relação aos jornalistas, que acusam de não divulgar a verdade. Uma das promessas políticas do M5E é eliminar os fundos públicos que recebem alguns jornais italianos.

Os deputados estão autorizados a dar entrevistas, embora raramente o façam, mas Grillo proibiu-os de participarem em debates de comentário político na rádio e na televisão.

A Plaza Flaminio encheu-se hoje de jornalistas, mas poucos deputados aceitaram falar e os que o fizeram pouco adiantaram sobre a reunião.

Até hoje, o M5E tem transmitido as suas reuniões em direto na Internet, o que fez, aliás, quando se reuniu com Pier Luigi Bersani durante as consultas deste para a formação de Governo. Hoje, porém, a reunião não vai ser transmitida.

A Itália atravessa um impasse político saído das eleições legislativas de 24 e 25 de fevereiro, em que a coligação de centro-esquerda liderada por Bersani foi o partido mais votado mas sem conseguir a maioria absoluta nas duas câmaras parlamentares, indispensável à aprovação do novo Governo.

Bersani foi encarregado de formar Governo pelo Presidente, Giorgio Napolitano, mas não conseguiu o apoio do M5E e recusou coligar-se com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, cuja coligação de direita foi a segunda força mais votada.

Ante o fracasso das consultas realizadas por Bersani, Napolitano constituiu um grupo de 10 "sábios" encarregados de procurar pontos de convergência entre as diferentes forças políticas que permitam pôr fim ao impasse.

Uma sondagem divulgada hoje concluiu que o centro-esquerda de Bersani, a direita de Berlusconi e os contestatários do 5 Estrelas voltariam a obter votações semelhantes se as eleições se realizassem agora.

Na sondagem do instituto SWG para a RAI, o Partido Democrático de Bersani obteve 25,5% das intenções de voto, o Movimento 5 Estrelas 25,4% e o Partido do Povo e da Liberdade de Berlusconi 25%.

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